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(no subject)
rosas
innersmile
Achei divertidíssimo o filme Hairspray, que Adam Shankman realizou e coreografou, adaptando um musical da Broadway que já era uma adaptação de um filme com o mesmo título que John Waters realizou nos anos 80, e que foi, se não estou em erro, o último filme que fez com a Divine, pouco tempo antes da sua morte.
Claro, o filme tem todo aquele song & dance da Broadway, mas uma obra que tem, ainda que remotamente, qualquer coisa a ver com o John Waters não pode ficar de todo imune a essa relação. E assim Hairspray, o filme, tenta recuperar alguma coisa do absurdo e do ‘mau gosto artístico’ de Waters, o que é patente, por exemplo, na cena de abertura (Good Morning, Baltimore; note-se que Baltimore é a terra de Waters, e onde se passam todos os seus filmes), onde o próprio John Waters tem um cameo, a fazer de exibicionista do bairro!
Nunca vi a versão do musical em palco, e por isso não posso apreciar a adaptação, mas acho que o filme é dos musicais mais felizes que tenho visto recentemente, sem nenhuma das fragilidades de que normalmente sofrem este tipo de adaptações. Por outro lado, e apesar dos números musicais serem praticamente seguidos, são sempre muito bem conseguidos do ponto de vista musical e coreográfico, e têm sempre um bom contexto narrativo.
Trata-se de um filme alegre, bem disposto, com uma ironia muito tongue-in-cheek, que não se leva demasiado a sério, com belas canções, e um tom cáustico, ainda que adocicado, audiências oblige!
E, é claro, é impossível não falar do grande papelão (trocadilho intencional) que é o John Travolta. Por um lado tenho pena que o Harvey Fierstein não tenha retomado aqui o papel que estreou no palco (e que no filme de John Waters era de Divine), mas um tipo não consegue deixar de se babar a ver o Travolta a fazer de Edna com o mesmo tipo de coolness serena e contida mas sempre à espera de rebentar de energia.
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