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creta.3
rosas
innersmile
24.8.07
Hoje alugámos um carro, um Hyundai Accent, e fomos passear até à costa sul da ilha. Uma viagem de perto de 70 km, pouco mais de uma hora.
De manhã, a experiência de sair de Iraklion sem saber muito bem para onde. Apesar das indicações da funcionária da agência de rent-a-car, a sinalização na estrada é quase nula. Depois de dez minutos a conduzir sem saber muito bem para onde, parei para perguntar direcções numa bomba da gasolina, e, miraculosamente, estava no sítio certo.
No caminho de ida parámos em Aggia Varvara e nos sítios arqueológicos de Gortyna e de Phaestos. Gostei, em Gortyna, de ver o Code of Law que, como o nome indica, é uma colecção de leis civis, gravadas em pedra, numa edificação que é uma espécie de corredor de tecto abaulado. Também em Gortyna fica o plátano a cuja sombra, segundo reza a lenda, Zeus amou Europa. Do palácio de Phaestos veio o famoso disco de Phaestos, cujos hieróglifos permanecem por decifrar.
Depois conduzimos até Matala, uma pequena baía ladeada por uma escarpa cheia de grutas. Almoçámos e tarde inteira de praia.
Gostei muito de viajar através do interior da ilha, de uma paisagem seca e quente, feita de montanhas altíssimas, desfiladeiros impressionantes e vales generosos. É incrível como sendo a ilha tão estreita, as montanhas são tão elevadas. Não são maciços vastos, como cá, mas serras protuberantes e acentuadas.
Cada vez mais acho as pessoas parecidas connosco, no desenrascanso, numa certa anarquia que acaba por resultar bem, na desordem e até no desordenamento. Viajar por Creta é como viajar por um Portugal mais árido e agressivo, assim tipo um barrocal algarvio exponenciado.

As azeitonas são fabulosas. Felizmente como poucas, porque as que provo são daquelas que é impossível parar. Nunca comi azeitonas tão boas.

Há três noites que durmo muito mal, suspeito que é por causa do café que tenho bebido à noite e que aqui é muito forte. Como tenho dificuldade em adormecer, o calor e o barulho que vem da rua não ajudam. De modo que thank god pelo mp3, passo horas a ouvir música. Esta noite estava eu a tentar descontrair com a música, começa a tocar a faixa As Tuas Tranças, do José Mucavele. Uma sensação tão estranha, estar a ouvir a marrabenta suave do Mucavele a meio de uma insónia na noite cretense. Parecia uma coisa mágica, uma experiência fora do mundo normal, de deslocamento espacial.

Fomos à agência trocar de carro, porque de manhã o que nos deram era de uma classe superior à que queríamos alugar, mas como continua a não haver carros disponíveis, deixam-nos estar com o Accent apesar de nos cobrarem o preço correspondente ao grupo que pedimos!
Para comemorar fomos passear depois do jantar até Iraklion, com passagem obrigatória pela esplanada do Phyllo…Sophies, a esplanada da praça Venizelou que tem as bougatsas. Depois andámos a passear pela rua Korai, que, tirando duas ou três livrarias e outras tantas casas de antiguidades, é só bares e restaurantes. Além disso deve ser uma espécie de gay village da cidade, a avaliar pela população dominante!

Mal chegámos a Iraklion, quando subíamos a rua 25 de Agosto, tornámos a ir à igreja de São Tito, cujo dia se comemora… amanhã (daí o nome da rua). A igreja estava cheia de gente, de todas as idades, que faziam fila para irem orar em frente à coroa do santo (o discípulo do apóstolo Paulo que veio cristianizar Creta, de que foi primeiro bispo, ordenado em Gortyna, onde estive hoje à tarde). Depois, davam um beijo na redoma de vidro que protegia a coroa e comiam uma fatia de pão.
Ao cimo da rua, antes de chegar à praça Venizelou, havia um palco de rua, com uma vasta plateia, e onde tocava uma orquestra popular.
Não sei se é sempre assim à noite, se era por ser sexta-feira ou véspera de 25 de Agosto, mas o centro da cidade estava animadíssimo, com muitos turistas, mas sobretudo muitos locais: as esplanadas cheias, pessoas de todas as idades, grupos e famílias a passearem de um lado para o outro.







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