August 20th, 2007

rosas

georgia rule

À falta de melhor, fui ao cinema ver Georgia Rule, que tem a agradável notícia de trazer a Jane Fonda de volta aos ecrãs de cinema. O filme não é grande espingarda, até porque nunca consegue decidir muito bem se pretende ser uma comédia romântica se um dramalhão familiar. Tentando ser as duas coisas, nunca consegue ser bem nenhuma delas.
Para além de ser agradável ver a Jane Fonda representar, o filme conta ainda com a participação da Felicity Huffman, o que é sempre um motivo suplementar de prazer.

edit: nos comentários, o naovouporai pôs um link para um segmento do The Colbert Report, com o Stephen Colbert a receber a Jane Fonda como convidada.Read my lips: é i-m-p-e-r-d-í-v-e-l!
rosas

notícias do hemiciclo

Os serviços da Assembleia da República aproveitam as férias parlamentares para fazer uma desinfestação contra o caruncho e as térmitas. Não é um contrasenso fazer isso precisamente quando a AR está vazia?
rosas

sweeter than ever

«It took me by surprise I must say»



Tem sido muito comentado, por estes dias, um anúncio lançado pela Levi Strauss ao modelo 501, que tem a particularidade de ser o primeiro anúncio lançado simultaneamente em duas versões, uma destinada à comunidade heterossexual e outra à comunidade gay.

Lembrei-me, a este propósito, do primeiro anúncio que vi na vida às Levi's 501 e que foi igualmente um clip revolucionário: o famoso anúncio de 1984/5 em que o Nick Kamen entrava numa laundrette com um ar muito retro, e, perante o olhar atónito e/ou guloso dos outros clientes, se despia até ficar em boxer shorts, enfiando a roupa na máquina e indo sentar-se calmamente a ler uma revista, tudo isto ao som do Marvin Gaye a cantar a estrofe inicial de I Heard it Through the Grapevine.

Hoje pode parecer pouco, mas esse anúncio captou com exactidão o ar do tempo no que toca à cultura popular, colocando, pela primeira vez, o corpo masculino no lugar do objecto do desejo. Até aí, por muito estranho que isto possa parecer vinte e poucos anos depois, o corpo masculino era um tabu, celebrado apenas na produção artística, e mesmo assim na de carácter mais transgressor ou mais marcado por uma condição homossexual muito marginal (o termo 'queer' ainda estava a ser inventado).

Nessa altura, e parafraseando o célebre poema de Larkin, entre as fotografias de Robert Mapplethorpe e o primeiro vídeo clip dos Frankie Goes to Hollywood (relax… when you wanna come), passou a ser ok os homens serem bonitos e mostrarem o corpo. Para isso, diga-se de passagem, muito contribuiu a visibilidade que a homossexualidade teve em consequência da pandemia da Sida que, nos primeiros anos, surgia sempre associada aos gays.

O mundo, primeiro o da música depois os da moda e do desporto e por fim o da cultura pop em geral, passou a celebrar a beleza do corpo masculino. O resultado conhecemo-lo agora com o exacerbar hedonista mas muito superficial da cultura física, a proliferação dos ginásios e dos spas, a consagração da beleza física como um valor em si, de promoção ou prestígio social ou profissional. Nada, refira-se, a que as mulheres não estivessem habituadas pelo menos desde os anos cinquenta.

Quanto ao Nick Kamen, tive por ele uma valente paixoneta que me convenceu de vez de qual o género sexual que mais me titilava a libido. Teve, como deve ser nestes casos, uma carreira meteórica, dizia-se na altura graças ao facto de ter sido um protegido da Madonna, que foi, acho eu, co-autora de um dos seus hits e em cuja gravação chegou a participar nos coros. Each Time You Break My Heart foi o single que o Nick Kamen foi a correr gravar para aproveitar o hype levantado pelo anúncio às Levi's 501, mas a minha canção preferida dele foi Loving You is Sweeter Than Ever. E já agora, para me encher de ridículo, devo confessar que aterrorizei algumas pistas de dança tentando imitar o estilo de dança do Nick Kamen neste clip (be afraid, be very afraid!)