August 11th, 2007

rosas

tony wilson rip

Li há pouco nas notícias que passam em rodapé na Sky News que morreu o Tony Wilson. O nome pode não ser muito familiar, mas o Tony Wilson foi o fundador da Factory Records e do clube Haçienda, responsáveis por aquilo que se tornou conhecido por Madchester, o som e a cena musical de Manchester, e ligado a grupos como os Joy Division, e os New Order, os Happy Mondays ou os Durutti Column. Há uns anos o filme Twenty Four Hour Party People, realizado por Michael Winterbottom, tinha precisamente o Tony Wilson como personagem principal, e contava a história da ligação de Wilson a essas bandas de Manchester que marcaram a face do rock durante os anos 80.
Durante muitos anos a Factory teve um estatuto verdadeiramente mítico, por causa das bandas que editou, como é natural, mas por toda uma atitude face à música, onde se salientavam as capas dos discos (e não há capas de discos tão bonitas como as que foram criadas para os LP’s de 33 rpm) desenhadas por Peter Saville.
Em Fevereiro de 1996 quando fui pela primeira e única vez a Manchester, claro que fui ao Haçienda. Apesar de na altura já ter passado a aura mítica do clube (fecharia em 97, e no seu lugar há um bloco de apartamentos chamado precisamente Haçienda) foi uma emoção visitar a discoteca, com a varanda superior, o enorme bar ao fundo, e as escadas a descer para uma sala mais pequena onde ficava o palco. Para além das bandas que referi, foi no palco do Haçienda que apareceram algumas das mais fabulosas bandas de sempre do rock’n’roll, nomeadamente os Smiths. Por tudo isto, ter ido ao Haçienda, ter fisicamente estado lá, ter ouvido uma banda tocar ao vivo, foi um dos momentos mais entusiasmantes da minha vida, uma página dourada no meu currículo.
Como se vê, muita coisa importante na minha vida, nas nossas vidas, na cultura onde crescemos e que nos formou, esteve ligada ao nome do Tony Wilson. Aliás, desde que li a notícia ainda não parei de cantarolar mentalmente o Love Will Tear Us Apart, dos Joy Division. O Tony Wilson não era, obviamente, uma lenda como o Ian Curtis, ou o Morrisey, que é uma lenda viva! Mas era uma referência demasiado importante. E, por isso, com a sua morte, parece que é um bocadinho da minha juventude, mais um!, que desaparece.