August 2nd, 2007

rosas

o encontro

Referi no texto que aqui pus anteontem que uma das razões porque vi filmes do Ingmar Bergman foi a de que o realizador sueco era a grande referência de Woody Allen, numa altura em que eu amava o cinema de Allen.
Através de um link no blog a Natureza do Mal cheguei a uma história deliciosa publicada no jornal Liberation, que se não é verdadeira, é tão boa que é preferível à realidade dos factos.
Conta a actriz Liv Ullman, uma das actrizes fetiche de Bergman, que durante uma temporada teatral na Broadway, era frequentemente convidada para jantar por Allen, não tanto pelo prazer da sua companhia mas para poder ouvi-la falar de Bergman.
Numa ocasião o cineasta sueco foi, acompanhado pela esposa Ingrid, a Nova Iorque assistir à peça e, por insistência de Woody Allen, Ullman propôs a Bergman um jantar a quatro. Bergman aceitou com gosto. Na noite em que Ingmar Bergman assistiu à representação, Woody levou Ullman na sua limousine até ao elegante hotel onde Bergam estava instalado para o antecipado encontro dos dois génios.
Liv Ullman conta que quando chegaram à sala onde o jantar teria lugar, foram recebidos à porta por Bergman que, sempre muito calmo, apertou a mão ao igualmente calmo Allen. Sentaram-se, o jantar foi servido, e enquanto Bergman e Allen se olhavam atentamente e sem pronunciar uma única palavra, Liv Ullman e Ingrid, que não tinham propriamente uma relação muito calorosa, foram obrigadas a conversar para animar o jantar, sob o ocasional sorriso trocado pelos dois realizadores, de condescendência em relação à conversa feminina.
No fim do jantar, e sempre sem falarem, despediram-se com novo aperto de mão. Já na limousine de regresso, Woody Allen agradeceu a Liv Ullman a oportunidade do jantar, comentando que tinha sido magnífico. Mais tarde Ingmar Bergman telefonou a Ullman para também lhe agradecer o jantar.