July 25th, 2007

rosas

kovacs

Li no blog sound+vision que faleceu o director de fotografia Laszlo Kovacs, que foi, entre dezenas de outros filmes, o fotógrafo de grande parte dos filmes de Peter Bogdanovich (nomeadamente de um dos mais bonitos: Paper Moon) e de muitos outros filmes importantes ali na viragem dos anos 60 para a década de 70 e até ao início da de 80.
O nome de LK ficou-me de um tempo em que eu via muito cinema, e em que todas as informações eram importantes: os nomes do realizador e dos actores, como é natural, mas também os do director de fotografia, do compositor, do director de montagem. Levávamos, eu e os meus amigos com quem partilhava uma das últimas filas do balcão do Gil Vicente, o cinema muito a sério, e eu acho que foi essa atenção aos pormenores que me tornou num razoável espectador de cinema.
A ideia que eu tenho dos filmes fotografados por LK é a de uma fotografia muito saturada, forte, quente, que dava aos filmes uma certa tensão. Para além dos filmes de Bogdanovich, LK fotografou ainda, de entre os mais conhecidos, os Encontros Imediatos, do Steven Spielberg, de dois filmes de Scorsese (New York New York e The Last Waltz, FIST de Norman Jewinson (o filme que tirou o Silvester Stallone do guetto dos no-go-movies onde eu o tinha posto).
Um dos filmes que LK fotografou foi Heart Beat, de 1980, o filme que me ‘introduziu’ à personagem de Jack Kerouak, que eu conhecia apenas a fama de ter sido o autor de On The Road, que nunca tinha lido. O filme foi realizado por John Byrum, de quem eu apenas vi mais um outro filme, anterior, Inserts, que à época foi um filme de culto. Heart Beat foi também o filme que revelou para o cinema o Nick Nolte, que até aí era conhecido por ter feito uma série de televisão que foi muito popular, Rich Man, Poor Man (ou vice-versa, já não me lembro).
Lembro-me muito pouco do filme, que relatava a amizade especial que uniu Kerouak ao casal Cassady, Neal (a personagem desempenhada por Nolte) e Carolyn. Lembro-me da fotografia quente do Laslo Kovacs, lembro-me do fabuloso cartaz, e lembro-me de uma imagem que na altura me incendiou a imaginação, e que era o Kerouak a escrever à máquina utilizando enormes rolos de papel contínuo. Durante uns tempos, achei que a única coisa que me impedia de ser um escritor era não haver disponíveis rolos de papel contínuo para eu usar na minha máquina de escrever. Talvez seja o que me continua a impedir de o ser…