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see you lately
rosas
innersmile
«I vaguely heard you whisper someone's name»



De modo geral as minhas memórias anteriores a eu ter estado doente são muito vagas. O que eu era, e mesmo quem eu era, até à idade dos 21, 22 anos, permanece envolto numa bruma, ora mais dissipada e luminosa, ora mais densa e baça. Há coisas que recordo com intensidade e limpidez, mas são clarões, coisas muito concretas, filamentos.
A maior parte desses filamentos têm a ver com música, com canções, com determinados álbuns ou artistas. Há canções inteiras, a letra, a melodia, até os arranjos, que estão intactamente preservadas na minha memória, e basta um ligeiro click para fazer o seu download de alguma pasta mais recôndita da memória para aquela zona onde parece que a estou a ouvir e sou capaz de a trautear.

É esse o caso do disco Hotter Than July, do Stevie Wonder, que, fui agora confirmar, é de 1980. Nunca tive esse LP, ia ouvi-lo a casa de uma amiga minha, em cujo sótão passei muitas tardes. Não tenho bem a certeza se ela mo emprestou alguma vez (acho que a mãe dela não a deixava emprestar os discos) nem me lembro se alguma vez o tive gravado em cassete. Lembro-me de que comprei o cd há alguns anos, numa loja de de discos em segunda mão numa ruela do Soho de Londres.
No entanto, e como referi, é um desses discos que está gravado na minha memória. Por ser um disco muito festivo e por ter uma clara mensagem de intervenção cívica, e isso impressionou-me, porque na altura eu era suficientemente palerma para achar que pensar e dançar eram duas actividades incompatíveis (note to self: um destes dias fazer uma entrada sobre a canção 'Incompatibilidade', do Osvaldo Montenegro). Mas de todas as canções do disco a que me entrou direitinha na alma foi a Lately, um daqueles slows de criar família, como se dizia antigamente.
Mais tarde tive um disco da Gal Costa (o Vaca Profana, talvez?) onde ela fazia uma belíssima versão em português dessa canção (não tenho a certeza, mas está aqui um barulhinho no meu ouvido a dizer que a versão portuguesa era do Gilberto Gil, seria?), igualmente romântica ao ponto do meloso.

«Lately, I have had the strangest feeling
With no vivid reason here to find
Yet the thought of losing you's been hanging
'round my mind

Far more frequently you're wearing perfume
With you say no special place to go
But when I ask will you be coming back soon
You don't know, never know

Well, I'm a man of many wishes
Hope my premonition misses
But what I really feel my eyes won't let me hide
'Cause they always start to cry
'Cause this time could mean goodbye

Lately I've been staring in the mirror
Very slowly picking me apart
Trying to tell myself I have no reason
with your heart

Just the other night while you were sleeping
I vaguely heard you whisper someone's name
But when I ask you of the thoughts your keeping
You just say nothing's changed

Well, I'm a man of many wishes
I hope my premonition misses
But what I really feel my eyes won't let me hide
'Cause they always start to cry
'Cause this time could mean goodbye»



Aqui o jornal vai estar em pausa até ao final da semana. Enquanto o innersmile vai a águas para o Cartaxo, eu vou estar numa das mais belas praias portuguesas, toda areia doirada e mar azul, muito provavelmente a apanhar com vento, frio e chuva. Mas convenhamos que o tempo, para Inverno, até está ameno.
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