June 30th, 2007

rosas

tudo ao monte

Enquanto no meu carro continua a rodar o extraordinário cd do trio de Mário Laginha, Espaço, em casa a banda sonora tem sido um cd da Elisabeth Schwarzkopf, uma colectânea de árias, lieder e duetos que inclui algumas coisas de uma beleza inexcedível: uma cantata de Bach, duas árias das Bodas de Fígaro (entre elas ‘Porgi Amor’), O Mio Caro Bambino, de Puccini, ou, também do mesmo compositor, a famosa ária Un Bel Di Vedremo, da ópera Madama Butterfly.
É o primeiro cd da ES que oiço com atenção e realmente a sua voz é deslumbrante, de uma clareza tão grande, uma voz pura, sem ponta de aspereza.
É engraçado que quando não estamos habituados a ouvir canto lírico aquela forma muito particular de colocar a voz parece torná-las todas muito parecidas, mas quando começamos a prestar atenção percebemos que realmente os timbres são totalmente diferentes, e as vozes têm características muito diferentes, e que as tornam mais adequadas para uns papéis do que para outros. Digo eu, claro, que não percebo nada de ópera.

Também tenho ouvido muito um cd já de 2003, mas a que só agora consegui deitar ouvido. Mais jazz português, que está, acho eu, a passar pela sua melhor fase de sempre. É um disco de Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão (este que também integra o trio com que Laginha gravou Espaço), e colectivamente dão pelo nome de TGB, que significa Tuba, Guitarra e Bateria. O SC, tanto quanto sei, é um conceituadíssimo músico que divide a sua actividade por inúmeros projectos, quer no jazz quer na clássica, e que desenvolveu uma maneira de tocar que abriu muito o leque de criatividade da tuba. O disco é muito alegre e festivo, aliás a tuba dá logo aquele ar a festa no coreto da vila, com composições dos membros do trio e mais uns clássicos do jazz e não só, já que inclui uma versão muito entusiasmante de Black Dog, dos Led Zeppelin e a que é minha faixa preferida, uma versão linda linda de Só, do Jorge Palma. Gosto tanto que quando chega a faixa 8 do cd tenho dificuldade em largar a tecla do repeat, aquilo tem a capacidade de me transportar, de me pôr a sonhar acordado, sei lá...

Entretanto, há pouco na Fnac, além de comprar o PoPortugal da Eugénia Melo e Castro (que ainda só ouvi de raspão, mas que me pareceu muito bem), assisti ao showcase dos Buraka Som Sistema, e, bom!, até suei a abanar-me, os tipos são realmente fantásticos. Além de que são muito simpáticos. Eu confesso que fiquei logo conquistado quando depois do primeiro som ("a pista esquenta, o pipole sente-a") a Petty perguntou à assistência ‘Então, que tal a sensação?’