June 19th, 2007

rosas

ases do ringue

No jogo de ontem entre as selecções de Portugal e Moçambique a contar para o campeonato do mundo de hóquei em patins, que decorre em Montreux, na Suiça, eu torci, naturalmente, pela equipa moçambicana. E durante a primeira parte a torcida compensou, já que Moçambique, aos 8 minutos, estava a vencer por 2-0. Foi um jogo muito rápido e disputado e o resultado final, 7-4 espelha bem a superioridade do hóquei nacional, que se impôs durante toda a segunda parte.
Para se ter a noção da relatividade das coisas, e segundo os dados do próprio site dos campeonatos, enquanto Portugal tem 206 equipas e um total de praticantes federados que atinge praticamente os 8400, em Moçambique estão registados 60 atletas e 4 clubes!
Já agora, e com dois jogos disputados, Angola e Brasil ocupam o segundo lugar dos respectivos grupos. Portugal e Moçambique ocupam os primeiro e último lugares do Grupo C.
Não percebo porque é que, nestas modalidades mais populares, tipo futebol, hóquei ou basquetebol, não se organizam uns torneios quadrangulares da lusofonia (ou como é óbvio, alargados aos outros países da comunidade lusófona). Para além de dar oportunidade aos praticantes de jogarem em períodos off-season, seria ainda uma celebração e um reforço das ligações entre os países que falam português. É cada vez mais claro que a falta de laços e de pontes entre os diversos países da lusofonia deve-se em exclusivo à vontade política, ou à falta dela; oportunidades é o que não falta, e tenho a certeza de que vontade de participar, por parte de atletas e adeptos, também não. Nem nos passa, acho eu, o que seria a loucura em Luanda ou em Maputo com um torneiozinho das selecções de futebol.
rosas

imortalidade

No episódio de ontem de Rome, Octaviano e Marco António unem esforços e legiões para defrontarem Brutus e Cássio, no que seria a batalha de Filipos. Esta batalha seria decisiva para o futuro de Roma, e a vitória de Octaviano iniciaria um trajecto que culminaria no trono do instaurado império.
Para evitar que os seus inimigos soubessem da união, e para abastecer os cofres dos exércitos, Octaviano determina o assassinato de amigos e aliados, ricos é claro, dos dois generais exilados. A lista, engordada com encomendas de vingança de Marco António e de Ácia, ultrapassa os mil nomes. Da execução é encarregue Lúcio Voreno, que a distribui pelos vários colégios do Aventino. A Tito Pullo cabe o mais importante dos assassínios, o do grande Cícero.
Como Cícero estava a passar uma temporada no campo, Pullo e Voreno organizam um piquenique familiar, do qual Pullo se retira momentaneamente para cumprir a sua missão. A cena que se segue é daquelas que nos fazem babar de prazer e dar graças ao deus das séries televisivas.
A chegada de Pullo à vila de Cícero é anunciada e o famoso tribuno percebe que chegou a sua hora. Escreve uma carta a Brutus e Cássio prevenindo-os da união entre Octaviano e Marco António e dos seus planos de batalha. Tito Pullo chega, e Cícero diz-se honrado com o facto de ter sido o grande Pullo o escolhido para o assassinar, explicando-lhe que isso assegurará ao soldado da XIII Legião a imortalidade, uma vez que, não tendo dúvida de que a história registará a sua própria personagem, de igual modo registará o nome do seu assassino. Pullo parece desiludido, afinal o que a história vai registar não é a sua pessoa, mas apenas o seu nome.
Chegando a hora, Pullo elogia os pêssegos do pomar de Cícero, que lhos oferece, desembainha o gládio e, sempre com um tom profissional e sem ponta de emoção, avisa Cícero que será mais fácil se o velho senador se ajoelhar. Fazendo pontaria ao espaço entre a clavícula e o pescoço, Pullo enterra o gládio de um só golpe. Na cena seguinte, está de regresso ao piquenique, distribuindo pelos amigos e familiares os saborosos pêssegos do pomar de Cícero.