?

Log in

No account? Create an account

mel's films
rosas
innersmile
Foi posta à venda, nas lojas da especialidade, e a um preço muito convidativo, uma caixa contendo quatro filmes do Mel Brooks: Silent Movie (A Última Loucura de MB, de 1976), High Anxiety (Alta Ansiedade, de 1977), History of the World: Part I (Uma História Louca de Mundo, de 1981) e To Be or Not To Be (Ser ou Não Ser, de 1983). Os três primeiros foram realizados pelo próprio MB e o último, apesar do realizador ser outro, continua a ser um típico produto da ‘Brooksfilms’.
Estes quatro filmes correspondem ao período mais popular de Brooks e, de certo modo, à sua fase mais criativa, que já tinha começado com os dois filmes anteriores, Blazing Saddles e Young Frankenstein, este último um filme de que gosto pouco (antes já tinha realizado, nomeadamente, The Producers, o filme que deu origem ao musical que deu origem a uma versão recente, igualmente com a marca, e a produção, de Brooks). O último dos quatro filmes da caixa, To Be or Not To Be, uma versão de um clássico de Ernest Lubitch, como que anunciava já um certo ocaso do talento cinematográfico de Mel Brooks, que os seus filmes seguintes acentuaram (com toda a franqueza, Robin Hood: Men in Thights, apesar do título brilhante, nunca me conseguiu despertar muito mais do que um bocejo).
Mas Ser ou Não Ser é, desta série de quatro, um dos meus preferidos, a seguir ao Silent Movie, que foi o primeiro filme que eu vi do Mel Brooks e já se sabe que não há amor como o primeiro. Acho que nunca mais tinha revisto o filme desde esses longínquos finais de 70 quando o vi, creio que no Gil Vicente. Apesar de ser um típico filme dos anos 70 (desde a temática, a crise dos grandes estúdios, até às estrelas como Burt Reynolds), achei que o filme, enquanto comédia pura, se aguenta bem à bronca do envelhecimento. E achei graça que muitas situações que fazem parte do meu imaginário de comédia, descobri-o agora, vêm afinal deste filme.
Quanto a High Anxiety, achei-o melhor do que a minha expectativa, pois para falar verdade já não me lembrava muito bem (quer dizer, não me lembrava quase nada) do filme. A sua maior debilidade, aprece-me, é nunca decidir muito bem se quer ser um pastiche se uma paródia do cinema de Hitchcock, ou então pretende ser exactamente as duas coisas. É digamos que um antecessor do filme a gozar com géneros bem codificados, de que o paradigma havia de ser, poucos anos depois, o filme Aeroplano.
History of The World como que prenuncia o esgotar do filão Brooks. Filme de episódios, vivendo de um humor por vezes demasiado primário, a repisar muito as marcas de Brooks, mas, apesar disso, contendo diversos momentos verdadeiramente impagáveis, como seja o número musical da Inquisição Espanhola, que é fantástico (vi-o em repeat umas poucas de vezes).
Finalmente To Be or Nort To Be, que, não sendo, como já disse, realizado por Mel Brooks, parece-me ser um bom compêndio das marcas autorais do seu cinema: um enorme gosto pelo teatro, sobretudo pelo teatro musical da Broadway, um humor muito judeu que não tem medo de brincar consigo próprio, mas que também não hesita em atirar a matar sobre o cristianismo e o nazismo, um humor que pretende ser mais esperto que inteligente, e que adora ser infantil e irreverente, uma certa noção de família criativa, utilizando muitas vezes os mesmos actores, sempre o mesmo compositor musical.
Pessoalmente, e como já se deve ter inferido, sou grande fã de Mel Brooks. Apesar de reconhecer que não está, em termos de excelência, ao nível dos Python ou de Woody Allen (falo do WA autor de comédia, desta época, de Sleeper ou Bananas, até Nem Guerra Nem Paz e Annie Hall), a verdade é que muito do meu gosto pela comédia e muito da comédia que eu gosto, tem a ver com estes filmes, simultaneamente malandrinhos e ingénuos, infantis e astutos, do Mel Brooks.

O bónus de hoje é o clip do Hitler’s Rap, que fez parte da banda sonora de To Be or Not To Be, apesar de não integrar o filme. Para além de um exemplo muito típico do que era o rap no início dos anos 80, é ainda um pedaço muito exemplar do que era o humor do Mel Brooks. Aliás, contém pelo menos duas piadas que apareceram em mais do que um filme dele, o ‘Heil Myself’, e o ‘Don’t be stupid, be a smarty, Come and join the nazi party’.

Tags: ,