June 11th, 2007

rosas

no desenho que fizesse



Como sou um pouco ladrão, roubo-te o pássaro para te agradecer a gentileza e a atenção da noite de ontem.

Sabes aquele poema do Alexandre O’Neill, que é assim:

«Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!»


Aplica-se tão bem, não é? Claro, desde que substituamos 'casa, mesmo modesta' por mansão sumptuosa!

Mas a nossa amizade tem sido peculiar. Feita de tensões, de hiatos, até de choques. Às vezes parece o jogo do braço de ferro. Mas depois quando estamos juntos somos tão honestos, tão adultos, tão directos, tão agradáveis e bons um para o outro.
Claro que não é por isso a nossa amizade é única. É-o sim, mas porque tu és único. Tu e o teu caril. E o teu arroz com cravinhos. E o teu pássaro voando recortado à luz da lua que brilha no meu peito.