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(no subject)
rosas
innersmile


Há lugares, recônditos, no mundo onde já só a memória habita. Lugares aonde nunca retornarás. É tão pouco o que te resta.

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rosas
innersmile
O que é que tu hás-de fazer com as tuas memórias? E com as memórias desses outros que te antecederam? Olhas a fotografia, a areia branca e fina, a água azul, tufos de vegetação áspera e escura bordejando a duna. E de repente não sabes o que hás-de fazer com o sabor da água salgada que te vem à boca. Pensas em guardar a fotografia, em mostrá-la aos outros. Mas o que adianta? Qual o lugar que na memoria dos outros ainda resta para encontros súbitos com um passado que não regressa? Há lugares, recônditos, no mundo onde já só a memória, a tua memória, habita. Lugares aonde nunca retornarás. E de certa forma os outros são o garante de que esse lugar existe, e por isso pensas em guardar a fotografia para mais tarde lhes mostrares. Mas assalta-te a dúvida, não consegues perceber que lugar ocupa essa lembrança na memória dos outros, que efeitos provocará a simples contemplação da fotografia. Temes as ondas de choque, os efeitos colaterais. Mas em breve não haverá outros a quem possas mostrar a fotografia e que a validem, que te dêem a certeza de que esse lugar existe, que não é apenas um partida que a tua memória te prega, tu olhares uma fotografia e reconheceres o lugar, pensares que já percorreste os caminhos – eram verdejantes, o mato ameaçava ocupar o que antes fora um jardim bem tratado – que levam a essa praia, um caminho doce e transparente e tão frágil que a água da fonte percorre até se confundir na areia da praia e morrer a escassos metros de um oceano.
Como é que resolves? Como é que te arrumas depois deste transtorno, desta pequena e breve mas tão amarga angústia? É tão pouco o que te resta.