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andrew bird
rosas
innersmile
É sempre uma aventura irmos a um concerto de um músico de que sabemos muito pouco (ou mesmo nada, como já me aconteceu noutras ocasiões). Normalmente corre bem, porque há sempre um mínimo de informação que nos diz se seremos sensíveis ou não ao tipo de prestação musical.
Ontem, com a pouca informação que dispunha, e tendo ouvido apenas meia-dúzia de canções (cortesia de um amigo do livejournal e dos clips do youtube), fui ao concerto do Andrew Bird, com lugar na segunda fila, o que dá sempre uma maior proximidade com os músicos, porque lhes podemos apreciar as expressões faciais, acompanhar os pequenos gestos em palco.
Gostei muito do concerto. Desde logo por duas razões. Uma, porque gosto muito de assobios e o AB foi o primeiro tipo que eu vi a utilizar tão profusa e complexamente os assobios, não apenas para compor ou dar ambiente, mas como verdadeiro instrumento musical. A outra porque acho fascinante aquela coisa de se gravar o sampler de um som em palco e começar a construir toda a canção a partir desse som. E muito da prestação musical de AB e dos excelentes músicos que o acompanharam (Martin Dosh, na bateria e teclados, e Jeremy Ylvisaker, em baixo e guitarras) se baseou nessa técnica de ir gravando sons e acrescentando camadas (lembro-me do concerto extraordinário do Mathew Herbert na Casa da Música, aqui há uns anos, que era todo construído assim, para mais com a presença de uma cozinheira em palco!)
Para além de algumas referências mais óbvias (Radiohead no conceito e estrutura das canções, Rufus na forma como coloca e suspende a voz), houve momentos em que me lembrei das músicas da Penguin Café Orchestra, sobretudo, acho eu, por causa da utilização de instrumentos muito variados e que não estamos habituados a ver juntos, também por causa da utilização sequenciada desses instrumentos, como se cada canção tivesse, à moda da música clássica, vários andamentos, e ainda, acho eu, por causa da utilização de frases melódicas muito curtas e simples, e que vão sendo utilizadas repetidamente.
Aliás, agora que estava a escrever isto achei interessante essa noção de que o AB (que, segundo li, teve formação clássica, creio que no violino) incorpora nas suas canções, dando-lhes, digamos assim, um tratamento pop, muitos conceitos da música contemporânea.


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