May 24th, 2007

rosas

be happy

A ICD, Classificação Internacional das Doenças, é o sistema de classificação de doenças e procedimentos clínicos, criado e mantido pela Organização Mundial de Saúde para uniformização das estatísticas de saúde mundiais, e, dado o seu carácter sistematizado, compreensivo e universal, utilizado para todos os fins em que seja necessário proceder a uma codificação de doenças ou procedimentos (por exemplo, para definição de preços, para estabelecimento de critérios de financiamento, para contituição de rankings, etc.)
Desde finais dos anos 90 a versão que está a ser usada internacionalmente é a 10ª, mas durante duas ou três décadas a versão utilizada era a 9ª, que, de resto, ainda é a que está em vigor, acho eu, para codificação de procedimentos.
A ICD-9-CM, como é conhecida, incluía, como digo até há menos de 10 anos, na parte das desordens mentais (o termo em inglês é ‘disorders’), um capítulo dedicado às desordens e desvios sexuais (‘sexual deviations & disorders’), cujo primeiro código, o 302.0, é a homossexualidade (seguem-se outros como a zoofilia, a pedofilia, o exibicionismo, etc.)
Quanto à ICD-10, refere expressamente que a orientação sexual por si não deve ser encarada como uma desordem. Apenas são referidas, no capítulo das desordens da personalidade e do comportamento, as desordens relacionadas com o desenvolvimento e a orientação sexual (código F66), quando afectam o individuo, causando-lhe ansiedade ou depressão, ou dificultando o seu relacionamento com outros, e sempre independentemente da orientação em concreto, ou seja a ICD-10 refere sempre que estas desordens podem ser hetero, homo ou bissexuais. Um dos casos referidos é o da orientação sexual egodistónica, que acontece quando o indivíduo não tem dúvidas acerca da sua identidade ou preferência sexual mas não se sente confortável com ela e isso é causa de perturbações ou desordens comportamentais, podendo procurar ajuda ou tratamento médico.
Duas notas, portanto. A primeira é que a orientação sexual, nomeadamente a homossexual, quando egossintónica, não é uma desordem nem um desvio da personalidade ou do comportamento, e muito menos uma doença. A segunda é que o que constitui uma desordem é a egodistonia, ou seja, a contradição entre o ego e os desejos profundos.
Ou seja, don’t worry, be happy.
rosas

e se

Folheio apressadamente o suplemento do jornal do costume, que traz as novidades literárias, as recensões dos novos livros publicados, uma ou outra crítica mais elaborada. A semana está no fim e tenho de me ver livre desta carrada de papel de jornal, que amanhã começa a chegar nova vaga, e procuro um ou outro artigo que eu queira absolutamente ler. Então, tomo a súbita consciência de que todas essas páginas que os meus olhos varrem a correr, contêm notícias de livros que eu nunca irei ler. E quem sabe se não seria num desses livros que…