May 22nd, 2007

rosas

when in rome

Pelos vistos já tinha começado a semana passada, mas só ontem é que me apercebi de que está a passar no canal 2 da rtp a II série de Rome, a série televisiva que capta ‘o som e a fúria’ da passagem da república para o império na Roma antiga. Apesar de carregar um bocadinho nas cores, e de nem sempre ser muito rigorosa no curso dos eventos históricos, a série alia muito bem o interesse do drama televisivo com uma impressionante autenticidade quer das reconstituições quer do próprio ambiente cultural e das mentalidades.
De resto, um dos aspectos mais interessantes da série, na minha opinião, é o desafio que constantemente nos lança de fazer o confronto entre a mentalidade da época romana e a actual, entre os códigos morais respectivos, nomeadamente entre as noções de bem e mal que preponderavam na sociedade, mas ao mesmo tempo evidenciar que o essencial mantém-se, ou seja que os fenómenos de luta de poder e de sobrevivência e afirmação social são basicamente os mesmos.
Tendo a primeira temporada terminado com a morte (matada) de Júlio César nos idos de Março na escadaria do senado, esta nova (e última) temporada de episódios segue as fatais disputas de poder até à consagração de Octávio com imperador Augustus.
Tenho pena de ter perdido o primeiro episódio, sobretudo por causa do discurso de Marco António, que, para mim, terá sempre a voz e o porte apolíneo do Marlon Brando a pronunciar as famosas palavras do bardo: «I came to bury Caesar, not to praise him».