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«Como gosto do Joe Orton, esse autor inglês que, em plenos anos 60, pegou nas mais estafadas convenções do teatro comercial – uma mesa, um sofá, umas portas – e nele injectou o sol negro do desejo e do poder – como anos mais tarde Almodôvar o faria, em filmes como as Mulheres. As formas abastardadas da cultura popular, cançoneta, peça de rir ou drama de sexo e alguidar, ainda serviam para, desviadas, torturadas, retorcidas, morder a ordem, libertar o sexo.»

Este trecho de uma das crónicas de Jorge Silva Melo reunidas em Século Passado, resume muito bem as razões porque também eu tanto gosto do Joe Orton. E faz uma adequadíssima ponte para Almodôvar, de que eu nunca me tinha lembrado.

Francamente não me lembro como é que tropecei pela primeira vez no nome do Joe Orton, mas a primeira coisa que li dele foram os diários, comprados, segundo assinalei no livro, em Coimbra, em Setembro de 1991. Em Dezembro desse mesmo ano comprei em Londres um volume com as peças e a extraordinária biografia de Orton escrita por John Lahr, Prick Up Your Ears, que daria origem a um filme (de que tenho o dvd, ou será o vhs?) realizado pelo Stephen Frears, com o Gary Oldman a fazer de Orton, o Alfred Molina a fazer de Kenneth Halliwell e a Vanessa Redgrave no papel da Peggy Ramsay (de quem também já falei aqui no innersmile). Infelizmente, e que me lembre, só vi dois espectáculos com peças dele, um na Cornucópia, em 1992, Apanhados no Divã (What The Buttler Saw), e em Londres uma encenação da sua peça mais famosa Entertaining Mr. Sloane. Neste momento, quer dizer neste exacto fim-de-semana, Ricardo Pais leva à cena no CCB uma encenação do Loot (O Saque) e eu aqui mordidinho por não a poder ir ver. De resto, tenho ideia de que o Orton é um dramaturgo muito encenado em Portugal, ou pelo menos encenado com uma certa frequência (aliás, o texto de onde tirei o excerto do topo era precisamente sobre uma produção do Mr. Sloane feita pelos Artistas Unidos, creio).

Comecei a escrever esta entrada há mais de uma hora atrás, mas depois andei pela net à procura de coisas relacionadas com o Joe Orton, e também à procura de referências anteriores no innersmile. Para não me repetir muito, ficam dois links, um para um texto em que conto um bocadinho da história do Orton e do Halliwell, e outro onde escrevo mais sobre a Peggy Ramsay.