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george michael
rosas
innersmile
Fim-de-semana animado aqui por estas bandas. Para além de visitas, houve, há pouco, o Académica-Sporting, que os leões venceram, e ainda bem, mas mais em sorte do que em jeito. Acho muito divertido ir à bola, percebo realmente o lugar-comum de viver as emoções ao vivo, a cores, e, sobretudo, com o som vociferante dos adeptos.

No entanto, o golo da jornada, apesar de também se ter passado no Municipal de Coimbra (é mais bonito chamar-lhe assim do que estádio cidade de Coimbra – e vá lá, livrou-se da rainha santa…), não foi no jogo de hoje, mas na noite de ontem.
Falo, obviamente, do concerto de George Michael. E que concerto! Foi fabuloso, o tipo está numa forma perfeita, e foi dos concertos mais bem pensados que eu já vi. Foi sempre o GM, todo ele, que esteve ali, sem fazer o frete das canções mais antigas, e sempre a fazer a festa com as mais recentes. A própria noção de mise-en-scéne, com os músicos (quase) todos retirados para os lados do palco e o GM sempre em cena, no meio da cena, sozinho, num enorme telão que descia do alto, fazia de passadeira e terminava em rampa, e que era o principal monitor de imagens, isto para além de mais quatro ecrãs, dois com imagens do cantor e outros dois a ajudarem ao cenário.
Esta circunstância de o cantor estar sozinho em cena é, naturalmente, uma estratégia de consagração da sua estatura de estrela pop, mas o que lhe dá espessura, o que a torna mais do que um narcísico exercício de exposição, no caso deste concerto da tour 25Live, é que GM é mais do que uma mera estrela pop, é um verdadeiro músico, é um tipo que sempre teve controlo absoluto sobre o produto musical que ofereceu ao público (como o provou a batalha judicial para se livrar de um contrato discográfico que lhe condicionava a produção musical), é, para além de cantor, compositor da totalidade dos originais que grava, e é um músico com um projecto musical bem definido, o que é ainda mais notável dado que a área musical de GM é a sempre volátil canção pop.

Por tudo isto, foi um concerto memorável, um dos melhores que eu já assisti. Agora uma coisa um pouco desconcertante foi a quantidade de referências que eu ouvi à condição de homossexual do GM! Houve pessoas que eu conheço que se desinteressaram do GM, e desta oportunidade rara de o ver em Coimbra, pelo facto de ele “ser gay”. Disseram-se piadas, houve mulheres que foram sozinhas porque os maridos não queriam ir ao concerto do tipo que é paneleiro. Claro que isto mostra bem a tacanhez e o provincianismo da cidade. Mas mesmo independentemente destas atitudes mais imbecis, houve muitas referências à condição sexual do tipo. Como disse, achei um pouco desconcertante. Por um lado, dá-me gozo que as pessoas tenham de engolir o facto de existirem ‘role models’, pessoas de sucesso, que não escondem a sua orientação sexual e que a incorporam na sua prestação artística, como fez GM, com subtileza mas de modo assumido, em alguns momentos do concerto. Mas por outro, provoca-me algum desconforto a sexualidade de uma pessoa ser tema de discussão a propósito de uma circunstância para a qual a sexualidade é pouco relevante.
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