?

Log in

No account? Create an account

codinome, beija-flor
rosas
innersmile
Leio numa fervurinha o livro Cazuza: Só As Mães São Felizes, escrito pela mãe do mais famoso roqueiro do Brasil, ou melhor escrito por Regina Echeverria com base em depoimentos prestado por Lucinha Araújo. Trata-se de uma memória biográfica, uma livro que tenta reconstruir a biografia de Cazuza com base nas recordações emotivas da mãe acerca da relação entre ambos.
E não foi, aspecto fundamental do livro, uma relação muito fácil. Durante muito tempo porque Lucinha não percebia que o seu intenso e controlador amor não se coadunava com a personalidade rebelde (e muito mimada, diga-se de passagem, do cantor). Depois, porque os últimos anos da vida de Cazuza foram passados numa luta titânica contra a sida. É nesta via dolorosa, e na necessidade de lhe dar uma forma e um sentido, que o livro, de certa forma, encontra o seu fundamento e a sua razão de ser.
Nunca fui muito fã do Cazuza, sobretudo porque nunca prestei muita atenção, na devida altura, ao rock brasileiro dos anos 80. A esta distância, no entanto, são bem menores as diferenças entre as canções de Cazuza e do Barão Vermelho e aquilo a que poderemos, por facilidade, chamar uma norma da música popular brasileira. E neste aspecto, o songbook de Cazuza, nomeadamente o que ele partilhou com o seu parceiro do Barão, Roberto Frejat, é já um clássico da MPB. Basta, a título de mero exemplo, pensar na canção Brasil, popularizada por Gal Costa.
E tenho de admitir que o meu interesse, e o consequente gosto, pela música do Cazuza, além de tardio, surgiu-me de forma indirecta: uma grande curiosidade por conhecer as canções desse artista que fascinava tantos nomes para mim intocáveis da música brasileira.
Voltando ao livro, apenas para referir que é, além de uma memória biográfica sobre uma estrela pop, para mais escrita por alguém que tinha com ele uma relação mais do que próxima, trata-se ainda de um testemunho valioso sobre a terrível maldição que foi a sida na década de 80, sobre a forma devastadora e tenebrosa como entrou no quotidiano, e sobre a impotente e angustiada maneira de viver com ela e tentar resistir-lhe. Estes dois aspectos suplantam, e a meu ver ainda bem, o carácter de homenagem a Cazuza em que este livro também se traduz.
Nota final para a excelente edição, com revisão da autora para a edição portuguesa, tentando explicar certas especificidades do brasileiro, com fotos que ilustram mas não enchem, e com um cd ‘ilustrativo’, contendo duas dezenas das principais canções de Cazuza.
Tags: