May 9th, 2007

rosas

(no subject)

(dia da liberdade)

já me dói, ainda o teu corpo se volta na cama, ainda o teu ombro se ergue, apoiado no cotovelo, à altura dos meus dedos, a tua ausência. ainda finjo que te escuto, e já só ouço o imperscrutável e inodoro silêncio que os teus cabelos deixarão na almofada. acho terno e divertido o carinho que te esforças por me dar, mas, meu amor, já pressinto o sabor salgado das lágrimas que ficarão no teu lugar. nunca me deste uma prenda tão perfeita, nunca as tuas faces foram tão rosadas, mas, enquanto mais uma vez, só mais uma vez, me detenho no milagre do teu peito, a tua pele branca acena-me já do outro lado do dia. não me sinto ladrão, meu amor, por te ter roubado o que a outros pertencia, e as leves pétalas que por fim pousaste no meu peito são a prova do que, em golpe final, tomei por ser meu. ao invés, amarga-me que outros me tenham roubado o que muito ao de leve me roçou os lábios.
eu sei que devia estar alegre porque o sol brilhou toda a tarde no meu quarto, e o que recebemos é sempre mais do que o que nos falta. mas dói-me tanto ver-te assim, meu amor, à luz branca de uma beleza sem nome, tão impossivelmente já ausente quando ainda, mais uma vez, ainda e apenas mais uma vez, te toco.