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o bote
rosas
innersmile
Uma crónica muito bonita do poeta Pedro Mexia (autor do blog Estado Civil), na edição de hoje do Público, caderno P2, sobre o bote do Titanic. Ou seja, sobre aquele número reduzido de pessoas que, se tivéssemos esse poder, escolheríamos para salvar do naufrágio do embate no grande iceberg. Sobre as pessoas sem as quais o mundo não é mundo.
Mexia conclui, sem surpresas, que esse número é muito mais reduzido do que a princípio poderíamos supor, e que, resgatados os verdadeiramente indispensáveis, ainda sobraria muito espaço a bordo do salva-vidas do Titanic.
Confesso que, numa primeira leitura, não gostei do final da crónica, do derradeiro parágrafo, em que Mexia afirma que, naturalmente, ele próprio, como capitão, não abandonaria o navio e, por isso, não embarcaria no bote. Achei que era um efeito fácil, um assomo de desprendimento ‘just for the sake of literature’. Mas claro que Mexia tem razão, estúpido eu!
Se no bote apenas tiverem lugar aquelas pessoas sem as quais o mundo, o nosso mundo, não é concebível, então nele apenas embarcam as pessoas que amamos mais, e acima, e por cima, e para além, de nós próprios. Salvas essas, o mundo (o nosso mundo) poderá seguir sendo mundo. Mesmo sem nós.