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(no subject)
rosas
innersmile
Quem te vê, ó cidade,
hesitante na névoa da baía,
acredita que és a mais bela das princesas adormecidas.

Mas quem ousa conhecer-te as ruas poeirentas,
Quem em silêncio assiste ao estupefacto ressoar dos
milhares de passos que continuamente te percorrem,
Quem se suspende em descrédito
no impossível equilíbrio de um
cruzamento da 24 de Julho,
Quem se atreve tropeçar nas raízes
que inundam os passeios aí por
essas horas de lufa-lufa,
Quem te sente o cheiro no escorrer do
lento desvario das repartições,

Sabe que essa beleza que se afasta no
marulhar das ondas, é mera
fotografia do tempo que existe apenas
no pulsar ininterrupto de uma energia imparável
que nos corre nas veias, ó cidade.
Nas nossas veias mornas.
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