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moz07.3
rosas
innersmile
1.4.07, 19:00

Dia de turismo em Maputo.
Saímos às 9, com primeira paragem no Jardim Botânico Tunduru. Foi a primeira vez que entrei no jardim, aparte umas vaguíssimas recordações de infância (quando era Vasco da Gama). Há quatro anos o jardim era demasiado mal-afamado para arriscar uma visita. Depois descemos até à Praça 25 de Junho e seguimos pela Rua do Bagamoyo até à praça da estação dos caminhos de ferro. Paragem para visitar a estação. E logo a seguir paragem no Bazar, para visita e compras. Comprámos castanha de caju e colares de conchas, para ofertas. O vendedor das castanhas no fim agradeceu: 'obrigado meu pai, obrigado minha irmã'. Visita ao Museu de História Natural, à igreja da Polana, e seguimos para a Costa do Sol, para almoçar.

À tarde, meti-me num táxi e fui 'ver as casas', ou seja, passear pelos lugares onde viveram os meus familiares. Fui espreitar a casa que foi da minha avó, na Avenida Paulo Samuel Kankhomba, antiga Gomes Freire. Está cada vez mais diferente do que é na minha memória, e a zona está cada vez mais degradada, apesar da casa geminada, que há quatro anos estava em ruínas, estar agora a ser reconstruída.
Esta visita é obrigatória. Esta casa é o epicentro de todas as minhas recordações de infância, na antiga cidade de Lourenço Marques.

Estes passeios por Maputo dão-me gozo e orgulho, porque já conheço muito da cidade, oriento-me, relaciono lugares e acontecimentos. E consigo, a partir da geografia de Maputo, reconstruir um pouco do que foi a geografia 'lourenço-marquina' dos meus pais.

Se há decisão que eu devia tomar na vida, era a de nunca mais esquecer esta cidade, visitá-la tantas vezes e sempre que possível.

Enfim, não há nada nesta terra de que eu não goste. Eu sei que fantasio e romanceio, e que o meu sentimento é o de quem não vive e não sente as dificuldades e os problemas. Não tenho ilusões e sobretudo não me engano a mim próprio. Sei que sou um estrangeiro nesta terra.
Mas reclamo, sem pedir licença, o direito à minha memória, o direito a conhecer e a homenagear a vida dos meus pais, que pertenciam a esta cidade tanto quanto ela lhes pertencia.
A minha felicidade, acho eu, é que tanto gosto de Lourenço Marques como gosto de Maputo. Fascina-me o que esta cidade foi, o impossível lugar de uma memória feliz, e apaixona-me a energia que esta cidade é, o impossível lugar de uma utopia (escrita a frase, reparo que usei o título do livro da Isabella Oliveira, Memória e Utopia para definir o que eu sinto em relação a esta cidade). Tanto me comovem as marcas do passado que decifro, como as promessas que o futuro insiste em manter, apesar de todos os apesares.







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