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(no subject)
rosas
innersmile
Como ando sempre muito atrasado nos comentários à actualidade, não faz mal em deixar aqui breves notas acerca de dois assuntos que andaram por aí nas notícias e nos blogs.

A primeira é sobre o cartaz dos Gato Fedorento a gozar com o cartaz do partido nacionalista sobre a imigração. Não percebo bem a relutância dos GF em assumir que o cartaz é intervenção política (e da melhor), e não apenas uma intervenção humorística, uma mera oportunidade de fazer humor. Entendo que os GF não queiram perder a imagem da irreverência, com uns toques de louca irresponsabilidade, aquela coisa de ‘não liguem aos nossos disparates porque nós somos palermas’. E entendo, porque isso os defende mais. Mas pretender que o cartaz da Praça do Marquês de Pombal não passa de irreverência humorística é tomar-nos a todos por ingénuos, e desbaratar aquilo que me parece mais importante na recente série de episódios dos GF: usar o humor ao serviço de uma consciência cívica, livre e informada.

O outro comentário é para a história do Universidade Independente e o título académico do primeiro-ministro. É absurda a relevância que se dá em Portugal aos títulos académicos, e que serve apenas para esconder o mais elementar, e que é a total irrelevância académica, científica ou profissional dos referidos títulos. É por isso que esta questão do título académico do p-m é importante: seria uma bacoquice infeliz a hipótese do p-m ter de alguma forma conseguido um título sem ser pela via normal, que é a de fazer exames e ter aproveitamento nas matérias, apenas para legitimar uma qualquer espécie de respeitabilidade política. Mais grave, na minha opinião, do que ter um p-m que recorra a uma irregularidade, na menos má das hipóteses, para ter um título académico, era o que isso revelaria acerca da hipocrisia provinciana e do atavismo reaccionário que domina a mentalidade portuguesa, e de como nem a nossa liderança escaparia a esse chavascal de pocilga que nos impede de sermos verdadeiramente grandes (fica no condicional, para salvaguardar o benefício da dúvida).