March 28th, 2007

rosas

a luta continua

«It was there that I heard the words A Luta Continua in portuguese for the first time.»



Caraças, esta cena da internet é um milagre inacreditável! O youtube é apenas (mas ‘apenas’ aqui escreve-se com letra muito grande) uma das mais recentes e uma das mais poderosas erupções dessa magia, que é trazer-nos o mundo e a sua memória ao visor da janela do nosso quarto.

Uma destas noites tropecei nesta verdadeira jóia, a Miriam Makeba a cantar (suponho que num programa holandês) A Luta Continua, a canção que ela fez, como explica no principio do clip (que ainda nos dá, em bónus, o clássico Pata Pata), para celebrar a independência de Moçambique, esse momento absolutamente axial, prumo do zénite, das nossas vidas, de tantas nossas vidas, em que a bandeira portuguesa desceu do mastro para dar lugar à bandeira da República Popular de Moçambique.
Cantei esta canção dezenas (centenas? milhares?) de vezes, nos comícios, nos congressos, nas reuniões de grupos dinamizadores, a que assisti e em que participei nos escassos quinze ou dezasseis meses em que fui continuador da revolução moçambicana.
A Miriam Makeba era um símbolo das lutas nacionalistas e independentistas africanas, uma verdadeira diva revolucionária, e esta canção dedicada à ‘nossa’ independência enchia-nos de orgulho e, claro está, de engajamento!

E é incrível eu ter encontrado este clip nas vésperas de regressar mais uma vez a Moçambique. Não consigo sequer descrever como aos poucos a emoção e o nervosismo de voltar a Moçambique vai tomando conta da minha vida, e da minha memória. Ao ponto de, numa daquelas sessões de navegação perfeitamente ao acaso, encontrar esta referência tão forte da minha infância.
Desta vez, ao contrário da viagem tão marcante que fiz há pouco mais de quatro anos, vou fazer turismo puro, em excursão e tudo. Vai ser interessante, e até um bocado bizarro, essa coisa de ir fazer turismo à terra onde nasci e pela qual me apaixonei inteiramente há quatro anos. Mas não podia deixar passar a oportunidade, para mais na companhia de amigos, de voltar a ver as ruas, as pessoas, o mar. De voltar, mesmo que fosse só para isso, a respirar o ar.

«Mozambiki
a luta continua
a luta continua continua»