March 11th, 2007

rosas

(no subject)

«Li as suas impressões sobre o meu livro "Ao Contrário das ondas" e achei-as inteligentes, sensiveis e bem escritas. Assim houvesse muitos outros leitores a gostarem do que eu escrevo. Urbano Tavares rodrigues»

Ok, isto é um acto de auto-comprazimento, vaidadezinha das mais puras, mas deu-me um prazer imenso ler hoje este comentário a uma entrada que escrevi aqui há tempos sobre o livro de Urbano Tavares Rodrigues, Ao Contrário das Ondas.
Já tenho dito que o innersmile, mais do que um blog, é um diário no mais estrito dos sentidos, pessoal mas não íntimo, que me dá gozo partilhar com outras pessoas, umas que eu conheço, ou que são minhas amigas, e outras, evidentemente, cuja leitura nem sequer suspeito. É como se eu escrevesse um diário em papel e o desse a ler a outros.
Talvez por isso, fico sempre surpreendido, e muito embaraçado, quando comentam, ou me escrevem, os autores ou os artistas de cujo trabalho aqui vou falando. E, modéstia à parte, já aconteceu algumas vezes. Eu ia acrescentar que essas mensagens são sempre de reconhecimento e agrado pelo que eu escrevo, mas também não é muito difícil, porque como eu (quase) só escrevo sobre o que me dá prazer, e por isso escrevo a dizer bem, é natural que as pessoas fiquem agradadas.
Mas devo dizer que este comentário de Urbano Tavares Rodrigues me dá um gozo particular. Não sei se estão bem a ver, mas o UTR é um vulto enorme da literatura portuguesa (e da história recente de Portugal, foi, por exemplo, um homem que privou muito, e muito intimamente, com Álvaro Cunhal), é um deus do panteão maior das nossas letras, e cada vez que leio aquelas palavras («e achei-as inteligentes, sensiveis e bem escritas») quase rebento de orgulho. Que uma pessoa da importância de UTR tenha a humildade de ler umas coisas alinhavadas sobre um livro de sua autoria, escritas mais ou menos anonimamente por alguém que não tem a mínima competência para o efeito, e ainda por cima a de comentar essas linhas, diz muito sobre a pessoa do escritor.
Mas diz também que aquilo que eu escrevi faz algum sentido, tem algum valor (eu preveni que isto ia ser auto-condescendência da pior espécie), e isso deixa-me satisfeito. Ou melhor, feliz!

E pronto, depois deste pequeníssimo intervalo, voltamos ao same old same old.