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letters from iwo jima
rosas
innersmile
Letters from Iwo Jima é um filme enorme, de uma beleza absoluta que é triste mas ao mesmo tempo libertadora. Percebe-se ao ver este filme que a Flags of Our Fathers sobrava, para ser um grande filme, um excesso de explicações. Em Letters, Clint Eastwood não explica, limita-se a mostrar a lenta e seca agonia de um ilhéu exposto à agrura, e de alguns dos seus ocupantes, que se preparam para morrer. Mas morrer em nome de quê?
O contraponto que Letters oferece em relação a Flags é que o heroísmo é inútil enquanto o falso heroísmo é útil. O verdadeiro heroísmo é o do indivíduo, que tudo o que quer é regressar a sua casa e à sua família, mas que sabe que o único caminho de regresso é o de fazer aquilo que ele acha que é o correcto: do what is right because it's right. Mesmo que isso o afaste, mesmo que isso o faça perder-se, do caminho e de si próprio. É o que resgata o General Kuribayashi da barbárie da guerra, essa consciência a prumo do que deve ser feito, do que é a coisa certa a fazer. E é, por fim, o que resgata da morte o soldado Saigo (que não é um soldado, mas um simples padeiro).
Eastwood busca na aridez e na desolação do rochedo o tom para a sua narrativa. Nada neste filme está a mais, e a única forma de mostrar a verdade é focarmo-nos na essência. É olhando um homem, perscrutando-lhe o olhar, apreendendo-lhe os gestos, seguindo-lhe os passos, que percebemos a matéria de que é feito.
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