February 25th, 2007

rosas

scissor son

Quando Augusten tinha 12 anos os pais divorciaram-se. O pai desapareceu e a mãe, uma doente mental com aspirações a poeta, entregou-o à família do psiquiatra porque se sentia incapaz de tomar conta dele. Até aos 17 anos, Augusten viveu numa casa que não era arrumada nem limpa, onde não se cozinhava e as pessoas alimentavam-se de snacks, coca-cola e anti-depressivos, onde era possível desfazer o tecto da cozinha e abrir um buraco no telhado para aumentar o espaço. Para além de fumar e beber álcool, Augusten não ia à escola e foi amante do filho adoptivo do psiquiatra, um homem vinte anos mais velho. Durante todo esse tempo, Augusten escrevia furiosamente no seu diário, durante quatro horas por dia.

Running With Scissors é o livro de memórias da sua adolescência, da sua relação com a mãe e da sua vida em casa e com a família do psiquiatra. E podia ser uma história de horror e paranóia e disfunção, contada num tom miserável e amargo de quem teve a sua vida arruinada por causa da loucura e da estranheza dessa adolescência. Mas, sendo uma história de horror e paranóia e disfunção, o livro de Augusten Burroughs é divertidíssimo, ainda que irresistível e deliciosamente assustador.

Eu conhecia as crónicas de Augusten Burroughs da revista Details e li o ano passado Magical Thinking, que é novamente um livro de memórias, desta vez sobre a sua vida em Nova Iorque. Comprei o livro numa livraria de um centro comercial em Singapura, mas também está à venda na Fnac, porque foi feito um filme, com a Annette Bening no papel da mãe do Augusten, que já estreou nos EUA e nalguns países da Europa.