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dias estranhos
rosas
innersmile
Entre muitas outras coisas que me deu, o Saint-Clair foi a única pessoa que me deu a firme convicção de que ser escritor, de literatura, era qualquer coisa que estava ao alcance da minha mão. Que eu tinha aqueles dez por cento de inspiração, olhar, mesmo génio (sem presunção), sem os quais não vale a pena escrever, ou pelo menos escrever para os outros lerem. Um pouco involuntariamente (os inocentes são sempre protegidos) deu-me igualmente a certeza de que eu nunca iria ter os restantes noventa por cento de trabalho, suor, determinação, disciplina, ofício, vontade e perseverança, sem os quais os tais dez por cento são tão inúteis quanto diletantes (por muito agradáveis ou mesmo extasiantes).
E o Saint deu-me isso, essa convicção e essa certeza, de diversas maneiras. Uma delas foi pelo exemplo. Porque, além de escrever magnificamente, ele tem a paixão da literatura e tem a paixão pelo texto, pela palavra. E tem, de uma forma tão assumida e intrínseca que quase parece biológico, o compromisso com a escrita, uma compulsão que tem tanto de obsidiante quanto de hedonística.
Por razões que eu desconheço, o Saint decidiu disponibilizar aqui no livejournal o seu livro de contos, Dias Estranhos. Para além do privilégio de poder ler os contos de forma organizada, do modo como o autor os estruturou de forma a corresponderem à sua concepção do livro, o site está bem organizado, aproveitando bem os recursos que o livejournal disponibiliza, fugindo completamente do modo diarístico do livejournal e conseguindo apresentar um verdadeiro e-book.
Conheço alguns destes contos tão bem, e há tanto tempo, li-os tantas vezes, que já os sinto como uma coisa não estranha. Não como se fossem de minha autoria, mas como se fossem meus, como aqueles livros que amamos e que nos acompanham sempre.

Dias Estranhos