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scoop
rosas
innersmile
Scoop, o mais recente filme de Woody Allen, está menos próximo do anterior, e muito celebrado, Match Point, do que das comédias que Allen vinha realizando no seu período pós-Mia. O filme fez-me particularmente lembrar The Curse of the Jade Scorpion (de 2001), e não apenas por causa do nome falso que Sondra engendra.
Nessa medida, não se pode negar que o filme constitui uma certa decepção, porque não há em Scoop o rigor meticuloso e obsessivo de MP, e porque o filme é um regresso a fórmulas em que Allen está muito à vontade, quando uma das coisas que tornavam MP fascinante era um certo gosto do risco e da experimentação. Temos assim de novo uma comédia sexual, com doses equivalentes de Bergman, Freud e Groucho.
Sabemos como Allen se fascina com as actrizes (ao ponto de casar com elas), e sente-se que este filme foi escrito para Scarlett Johannson. Uma das coisas que eu achei de Match Point é que tinha sido a primeira vez que um filme de Allen não tinha uma personagem correspondente a Woody, o judeu paranóico de Nova Iorque. Para compensar neste Scoop há dose dupla: a personagem de Sid, desempenhada por WA, e a própria personagem de Sondra Pransky, que não é muito mais do que uma projecção de Woody. E a verdade é que a Scarlett dá ao boneco o tom perfeito, resgatando-o da pura caricatura e insuflando-a com um sopro romântico que faz lembrar o Woody Allen dos primeiros filmes.
Eu sei que é um bocado parvo estar sempre a comparar este filme de Allen com o anterior, e que cada filme é um filme. Mas Woody Allen é um dos meus realizadores preferidos, conheço todos os seus filmes, alguns deles são dos meus filmes recorrentes, daqueles que estou sempre a rever, e tratando-se de um realizador tão específico, com um cinema tão próprio e característico, é um pouco difícil não olhar para o conjunto de filmes como uma verdadeira obra, como capítulos de um projecto amplo e unificador. Não se trata apenas de comparar filmes. Quando vejo um novo filme de Allen, é precisamente disso que vou à procura (não num sentido de gosto, mas de identificação), daquilo que marca a minha relação com a obra de um grande autor.
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