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dia 11
rosas
innersmile
Precisamente de hoje a um mês realiza-se o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Apesar de toda a discussão que atravessa o país e os meios de comunicação social (incluindo os blogs), não me apetece muito discutir a questão, e aproveito faltar hoje um mês para fazer uma espécie de declaração de voto e não me parece que me volte a pronunciar sobre o assunto.
De modo geral, acho que os argumentos que têm sido trazidos pelos adeptos do 'não' são de uma demagogia hipócrita insuportável. É sempre tão fácil apregoar uma superioridade moral qualquer, e fazer de conta que a realidade circundante não existe ou nos diz respeito. Por outro lado, acho os argumentos do 'sim' irritantes, sobretudo aquele histerismo da propriedade do corpo.
Confesso que não me sinto muito confortável em relação ao assunto. Acho o aborto uma violência, e parece-me que há qualquer coisa de absurdo em legalizar uma prática que é violenta. O que acontece é que essa violência se dirige contra o feto, é certo, mas também contra a mulher que pratica o aborto. E parece-me um absurdo ainda maior sancionar penalmente uma pessoa que seja vítima de tal violência, ainda que ela tenho tido alguma coisa a ver com isso.
Olho para o país do dia seguinte ao referendo e tento perceber em qual deles prefiro viver. Se num país que despenaliza uma prática polémica, mas que ao fazê-lo assume pôr ao sol os flagelos que levam as mulheres a recorrer ao aborto; ou se num país que prefere fazer de conta que o problema não existe e de vez em quando, de forma mais ou menos arbitrária, escolhe uma vítima que alivie o peso na consciência colectiva que é o recurso de milhares de mulheres ao aborto clandestino. Claramente, prefiro viver no primeiro. Por isso vou votar 'sim'.
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