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a magnólia
rosas
innersmile
Durante uns dias não passei no jardim aqui do meu local de trabalho. Hoje quando voltei a passar no jardim à hora de almoço, a magnólia refulgia ao sol do meio-dia, rosa e branca, toda cheia de flor. Em quatro ou cinco dias encheu-se de flor, e as pétalas começam já a atapetar o chão do canteiro em redor.
Esta magnólia, que abre em flor antes de se cobrir do verde das folhas, é o primeiro sinal de que, lá à frente, na curva do ano, espera já outra estação.
Vejo esta magnólia quase todos os dias. Aliás, cruzo-me com duas, bem diversas. Esta, a do jardim de baixo, de flor cor-de-rosa, mais exuberante e caprichosa, vibrátil e caduca. A de cima, serena como as coisas perenes, é rara a dar flor, mas quando o faz não há no jardim branco mais belo, suave e exaltante.

Sempre que passo pelas magnólias, e como digo faço-o quase diariamente, por vezes mais do que uma vez por dia, ouço distintamente a voz de Luiza Neto Jorge no disco Os Poetas – Entre Nós e As Palavras a dizer:

«A MAGNÓLIA

A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.»