December 30th, 2006

rosas

casino royale

Nada como uma coboiada para encerrar o ano cinematográfico. Nunca fui grande fã do Bond, apesar de achar os filmes divertidos. Sobretudo aprecio um certo humor e a construção de um estilo que é, fundamentalmente, uma grande piscadela de olho aos espectadores fiéis do 007. À falta de melhores alternativas, lá fui ver este Casino Royale, tendo apenas uma memória muito vaga do filme com o mesmo nome que era um pastiche aos filmes do Bond, e que eu me lembro sobretudo porque tinha o Woody Allen e o Peter Sellers.
Como é óbvio, não achei este último Bond nem melhor nem pior do que todos os outros. Gostei mais da primeira parte do que da segunda, dado que melodrama num filme do 007, ainda que só com uns tracinhos, só serve para provocar bocejo. Mas mesmo assim, pronto, tem piada, aquilo dos carros, das armas com silenciador, das taças de dry martini (gostei da resposta “I don’t give a damn” à pergunta se o Martini era shaken ou stirred, assim como que a dizer que os Bonds anteriores eram todos um bocadinho sissy), das mansões à beira do lago. E também gostei muito do Daniel Craig, que é lindo de se ver. Ok, tem pouco a ver com aquele estilo aperaltado do Bond, mas pronto, I don’t give a damn!
Ah, também gostei de ver o Jeffrey Wright, mas isso é porque ele é um dos meus autores favoritos e são sempre boas as oportunidades de o ver trabalhar. E achei piada ver o Richard Branson a fazer um cameo na cena do aeroporto de Miami. Como aparecem nessa cena aviões da Virgin Air, será que o cameo foi uma contrapartida contratual?
Só mais uma nota para dizer que um dos argumentistas do filme é o Paul Haggis, o realizador de Crash e argumentista do fabuloso filme do Eastwood Million Dollar Baby.

rosas

balanço II - música

O primeiro aspecto a referir é que oiço cada vez menos música em casa, e normalmente só jazz ou música clássica, ou seja, oiço música enquanto estou a ler. Assim sendo esta lista de CDs que comprei em 2006 refere-se fundamentalmente à música que andei a ouvir no carro:

- BS de Match Point
- Mário Laginha, Canções e Fugas
- Paul Simon, Surprise
- Lila Downs, três cds: La Cantina, o melhor, e mais dois que trouxe do México, La Línea e Una Sangre
- Lata Mangeshkar, BO
- José Alfredo Jimenez, BO
- Anne Sophie von Otter, I Let the Music Speak
- Johnny Cash, The Man Comes Around (AR IV)

- Caetano Veloso, Cê
- Sérgio Godinho, Ligação Directa
- Charles Aznavour, BO
- Banda do Casaco, Hoje há Conquilhas Amanhã Não Sabemos

Apesar de ser de 1977 o Hoje há Conquilhas é indubitavelmente o disco do ano! Com efeito, duvido que se tenha editado outro disco de música portuguesa este ano que tenha aquela capacidade de inovação, aquela criatividade, que tenha, ao mesmo tempo, a leveza da pop, a energia do rock, o mistério da música popular, e a sofisticação da música contemporânea, servidas com palavras que pretendem expressar qualquer coisa, e não, como tantas vezes acontece, apenas encher chouriços de três minutos.

Quanto ao artista do ano, só pode ser a Lila Downs, que não conhecia, e de quem comprei três discos, que ouvi muitíssimo, e assisti a um concerto ao vivo. E que, além disso, me abriu as portas para a música mexicana e me deu a conhecer outros músicos maiores da canção daquele país.

Foi também o ano em que comprei mais DVDs de música:

- Camané, Ao Vivo no São Luís
- U2, Zoo TV Live from Sidney
- Aznavour et Liza, ao vivo no Grand Palais des Sports
- Liza with a Z
- Haendel, Guiliu Cesare in Egitto
- Mozart, Don Giovanni
- Mozart, Cosi Fan Tute

- Mozart, As Bodas de Fígaro.

Com o disco da banda sonora do Match Point, a possibilidade de ver o Rigoletto ao vivo, e quatro dvds, dá para ver que este ano, como em nenhum outro anterior, ouvi ópera. Nunca tinha sido grande fã, aliás nunca tinha dedicado muita atenção à ópera. Mas como tudo, é uma questão de começar, e depois as coisas vêm agarradas umas às outras. A ópera é, na maior parte dos casos, uma coisa divertida, com uma grandiosidade espectacular, e não uma seca pesada, enfadonha e interminável, como muitas vezes pensamos. Então assistir ao vivo é divertidíssimo, e o dvd é ainda assim a possibilidade mais próxima de assistir a grandes óperas representadas em palco.

rosas

(no subject)

Nunca a expressão 'morrer na praia' foi tão cruel. Perto da Nazaré, seis pescadores de uma tripulação de sete morrem num naufrágio a duas ou três dezenas de metros da praia. Durante duas horas, as pessoas na praia viram os homens debaterem-se contra o mar, segurando-se ao que podiam, tentando salvar a vida. Duas horas. Qaundo o helicóptero finalmente chegou, já só restava um.

Noticiário na televisão e de repente surgem as imagens de Saddam Hussein de corda ao pescoço, momentos antes de ser enforcado. Por um momento, tenho a sensação incrédula de que recuámos no tempo, de que o relógio da civilização desatou a rodar ao contrário. Os bárbaros estão às portas da cidade. Dos dois lados da porta, entenda-se.

Se a ideia era não deixar saudades, este ano está a acabar em glória!