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expresso do oriente IX
rosas
innersmile

29.11.06

A viagem de regresso correu bem, mas apesar de vir numa cabine de duas camas, acho que ainda dormi menos do que na viagem de ida. Houve jantar a bordo (uma escolha entre fried rice e fried noodles, como provei dos dois o arroz estava melhor do que as noodles), servido numa caixinha de plástico transparente, e uma garrafa de água. O pequeno-almoço foi uma sandes e um café inenarrável.
Hoje fomos a Petaling St. para as últimas compras. Eu comprei um relógio MontBlanc para oferecer ao meu pai. Isto, claro, se o relógio ainda estiver a trabalhar no sábado.

A minha relação com a G. estreitou-se muito desde segunda-feira de manhã, quando tivemos uma conversa na sala do YMCA. Ontem passámos um final de tarde em grande, na esplanada de um café Starbucks em Orchard Rd. Uma daquelas conversas muito verdadeiras e intensas (intimas), mas nada forçadas, sempre ao sabor das palavras. Claro que parte significativa da conversa foi a fazer um balanço das férias, a medir o que correu bem e o que correu mal. Acho que o balanço é muito positivo, sobretudo pela oportunidade de conhecer a Ásia, que é outro mundo, e de mergulhar num quotidiano que é fascinante, diferente, diverso ao ponto do contraditório. Mas o balanço é também muito positivo pela oportunidade que tivemos, eu e a G., de nos conhecermos melhor um ao outro, e de termos aprofundado um amizade, à custa de muita cumplicidade e mimo. A G tem uma característica que eu adoro, e que gosto de presumir que também tenho, que é a de ser capaz de ser totalmente infantil e disparatada, mas ter  uma maturidade muito grande, feita de inteligência e lucidez.

Hoje vamos jantar com o B. e outros amigos a um restaurante chinês, a que o B. chamou ‘the mother of all chinese restaurants’.

O jantar foi lauto, e abrilhantado por mais uma fenomenal tempestade. Houve momentos em que o ruído da trovoada e da chuva a bater nas chapas do telhado (o restaurante era uma espécie de esplanada aberta, mas felizmente coberta) era tão intenso que se tornava um bocadinho assustador.
O jantar foi, como digo, lauto, com os pratos a sucederem-se interminavelmente e a um ritmo impressionante. Mas a piéce de resistance foram duas travessas com caranguejos, cada uma com o seu molho, ambos picantes e deliciosos. Com o hábito dos restaurantes chineses de ir acumulando em cima da toalha os sub-produtos da refeição, nomeadamente as cascas dos caranguejos, no fina da refeição a mesa parecia o cenário de uma batalha campal, ao qual a tempestade fornecia a banda sonora adequada.



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expresso do oriente X (fim)
rosas
innersmile

30.11.06


São 10 da noite e estou no KLIA, 'chequinho' feito e jantar jantado.
Não saímos de casa todo o dia, a relaxar e a fazer as malas.

A principal vantagem de viajar é perceber ("claramente visto") que o mundo não é a nossa ostra, e que não somos o seu centro. Sentado numa esplanada em Orchard Road, apercebo-me de que sou, muito provavelmente, o tipo mais velho que está ali sentado. Mais: sou mais velho do que a grande maioria das pessoas que passam pelo meu campo de visão. Nunca tinha tido esta percepção com tanta clareza: o futuro não está seguramente no lugar onde vivo. Não é (ainda?) em África, onde a população, sendo imensa e jovem, é seriamente ameaçada pela miséria e pela doença. É aqui o futuro, nestas economias de crescimento rápido, com populações muito jovens, e com governos centralizadores e dirigistas (e pouco democráticos!) que planeiam a educação e a preparação das pessoas.
É um pouco trágico perceber que o lugar de onde venho é um dinossauro já a caminho do inexorável minuto da extinção. Mas é igualmente uma lição de humildade, nunca é mau tornarmo-nos mais lúcidos. E se é trágico, não deixa igualmente de ser fascinante conseguirmos olhar um mundo em mudança, ver-lhe os movimentos, senti-lo a mover-se.
Esta viagem foi, a todos os níveis, muito especial. Foi turística, é certo, mas foi um pouco mais do que isso. Permitiu-me um contacto, uma proximidade, que não tem sido frequente noutras viagens. Não tenho a veleidade…

Interrompi o que estava a escrever porque estava sentada ao meu lado uma senhora a olhar atentamente para mim. Meteu conversa, entretanto chegou o marido, e acabámos a trocar endereços de e-mail, e eles a oferecerem-me a casa para eu lá ficar na próxima vez que vier a Malásia.

Já a bordo do voo da Air Malásia com destino a Amesterdão.
Escrevi há bocado que esta viagem não foi tipicamente turística. A começar pelo facto de ter ficado em casa de amigos, de ter conhecido pessoas que vivem cá, de ter tido a oportunidade de andar por caminhos, e sobretudo restaurantes!, que não são os típicos dos circuitos para turistas.
Por outro lado, tive também oportunidade de sair de KL e de visitar outros lugares da Malásia, nomeadamente Malaca e Penang, esta através de uma viagem de perto de quinhentos quilómetros através da bela e verde e húmida paisagem malasiana, e que me possibilitou conhecer outras cidades, como Ipoh ou Taiping. Finalmente a possibilidade de visitar Singapura, que é, para o mal e para o bem, uma cidade invulgar: bonita, arrumada, limpa, rica, com uma atmosfera cosmopolita. Muitas vezes pensei, ao percorrer as ruas de Singapura, que a cidade deixa na sombra as grandes capitais europeias.

Nem tudo correu muito bem, e houve alguns problemas, pessoais, que em alguns momentos arruinaram as férias. Mas isso já é só espuma. Verdadeiramente inesquecível, foi este primeiro contacto com a Ásia, que deixou vontade de conhecer mais, muito mais. A consciência de que o mundo é sempre cada vez mais vasto à medida que mais o conhecemos. Conhecer muitos países, muitos lugares, não tornam o mundo mais pequeno. Tornam-no maior, mais vasto, mais misterioso.
Um prazer? O de estar num hole-in-the-wall chinês, em Ipoh, a comer noodles com galinha e camarão. Com o mundo de Galileu a mover-se incessantemente em meu redor.

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