December 21st, 2006

rosas

expresso do oriente VIII

27.11.06

A chegada a Singapura foi um pouco estranha.
Às seis da manhã, com o comboio parado verdadeiramente no meio de nenhures, temos todos de sair para a gare (e o comboio é enorme, de modo que somos umas centenas valentes, se não mesmo uns milhares), entrar numa sala para controlo do passaporte, esperar mais um bom bocado, e tornar a entrar no comboio para o resto da viagem, desde a fronteira da Malásia com Singapura até à estação da cidade. Como a estação só serve o comboio para a Malásia, como há um diferendo fronteiriço antigo entre os dois países, como supostamente a estação ainda é território da Malásia, esta estação central de Singapura deve ser seguramente dos lugares mais feios e mal tratados da cidade.
Gostei muito do YMCA onde estamos instalados. É a primeira vez que fico num, e até agora não se viram em parte nenhuma os rapazes dos Village People. O ambiente é um bocadinho cristão a mais (muita bíblia, muito crucifixo, muito poster com mensagens religiosas), todos têm um aspecto muito bem comportado, mas há um ambiente de simplicidade, confiança, eficácia, cordialidade e vontade de ajudar.

Singapura não tem nada a ver com as canções do Tom Waits ou com o Corto Malltese. É uma cidade muito ordenada, muito limpa, rica, com um parque automóvel de elevado calibre. Diria que é um ambiente de verdadeira engenharia social, em que os habitantes sacrificam um pouco da sua liberdade em prol de maior prosperidade, bem-estar e segurança. Soa bem? Suponho que sim, mas é um pouco assustador.

Fui á net e li no livejournal que faleceu o Mário Cesariny. Que desgosto. Que enorme tristeza. De algum modo, o MC era das poucas (ou melhor, das últimas) pessoas que representavam um modo de ser português subversivo, poético, despenteado. Estamos não só mais pobres, mas mais arrumadinhos e domesticados.


28.11.06

Já no comboio de regresso a KL, desta vez numa cabine com duas camas.
De manhã fizemos um tour à ilha de Santosa, que envolveu um passeio espectacular de teleférico, uma visita ao Underwater World, que é um belíssimo aquário tropical, um espectáculo de golfinhos (cor de rosa) e uma subida ao Merlion, uma estátua que reproduz o símbolo de Singapura, um animal lendário com cabeça de leão e corpo de peixe.
Almoçámos no YMCA, e à tarde fomos levantar uma oferta de uma compra que fizemos ontem à noite. Bem, que aventura… Que começou por ir a um escritório num centro comercial para levantar um dos presentes, concorrer a um sorte que vai ser em Março. Deram-nos um voucher para uma outra oferta que tínhamos de ir levantar a outro centro comercial, e que nos levou a percorrer meia cidade de Singapura através das galerias comerciais subterrâneas que ligam vários centros comerciais. Uma coisa espantosa, incrível. Andámos por estes intermináveis corredores durante perto de uma hora sem nunca subir à luz do dia.
Claro que esta sucessão de galerias comerciais faz jus à fama de Singapura de ser a cidade das compras e dos centros comerciais. Nunca tinha visto tantos e tão grandes.
Depois desta aventura, fomos para Orchard Road, e passámos o resto da tarde de esplanada em esplanada!