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expresso do oriente II
rosas
innersmile
17.11.06

A felicidade de estarmos num país tão diferente é que, passe o pleonasmo, tudo é diferente. A começar pela luz, pelo ar, pela cor do ar. Agora, a bater as oito, o sol entra pela porta da varanda e inunda a sala de luz. Estou sozinho na sala, sentado num maple, a ouvir o mp3 (Johnny Cash neste momento – the first time ever I saw your face) e a escrever. Há momentos assim, que gostaríamos de conseguir reter. Qualquer coisa na luz, no modo como a luz, limpa a esta hora da manhã, entra aqui na sala.
É engraçado estar de férias e acordar tão cedo. Quer dizer, sem ser para ter de ir para qualquer lado ou fazer qualquer coisa. Acordar e começar a sentir o dia tão comprido.

Um dos aspectos interessantes na Malásia tem a ver com a religião e com o facto de o islamismo ser a religião oficial do Estado. As marcas do islamismo estão em toda a parte, nas pessoas, no modo como se vestem (o uso do lenço nas mulheres é dominante), na paisagem urbana, com as mesquitas e os minaretes, nos usos e costumes que marcam o quotidiano. No facto de a maior parte dos restaurantes não servirem álcool ou carne de porco. Mesmo os restaurantes que não são de muçulmanos, como os chineses, não servem para não perderem clientela.

É interessante observar um país islâmico que não tem o ferrete opressor do fundamentalismo. Não estou a ser ingénuo, e não estou a esquecer coisas que são absolutamente inaceitáveis, e que são fruto do predomínio absoluto do religioso sobre a moral e a política. Como por exemplo o facto de a homossexualidade ser um crime. Ou de haver pena de morte, para mais sem essa apesar de tudo atenuante de ser prevista apenas para os crimes de sangue.

Ao fim da manhã fomos (no LRT) para Chinatown, em Petaling Street, e para um antigo mercado, convertido em feira de artesanato (estação do LRT: Pasar Seni). Depois fomos para KL Sentral apanhar o Monorail. Fizemos a viagem completa, duas vezes. Espectacular. Fica-se com uma belíssima vista de toda a zona central de KL, e a própria viagem é espectacular, já que o percurso é todo feito em plataforma elevada pelo meio das ruas e dos edifícios.
Por entre os bairros chiques e os modernos arranha-céus, uma antiga prisão, Pudu Jail, uma visão brutal e assustadora, saída de um pesadelo ou de um filme de terror.

A meio da tarde, forma-se uma tempestade, que desaba torrencialmente durante perto de uma hora. Depois, tudo retoma uma normalidade solar.

Hoje vou jantar a um restaurante chinês. Comer la-las. Come-se incrivelmente barato, uma refeição por 5 ou 6 Ringits (1 euro compra entre 4,5 e 5 RM’s)








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