?

Log in

No account? Create an account

(no subject)
rosas
innersmile
A semana passada fui a reunião de curso, para celebrar o facto de terem passado 15 anos desde que fomos colegas numa pós-graduação. Dos dezasseis da turma (mais dois angolanos) estávamos onze, o que não foi mau. O facto de ser uma turma pequena ajudou a criar um bom ambiente durante o curso e ficámos todos com uma certa relação de amizade. Quer dizer, quase todos. E um dos ‘quase’ acho que sou eu! De duas das minhas colegas fiquei muito amigo, e durante uns anos depois de terminarmos o curso demo-nos bastante, mas depois o tempo foi-nos afastando.
Durante o jantar (a reunião foi à mesa do jantar) houve dois temas dominantes: a profissão e os filhos. Dois temas que, para ser franco, não são bem o meu forte. Tive sempre a sensação de que estava ali um bocadinho deslocado, mas não quero parecer presunçoso, e admito que todos os outros achassem o mesmo. Note-se que, ao contrário do que temia, não apanhei seca, até achei divertido. Mas a verdade é que estive a maior parte do tempo calado. E quando alguém me perguntava ‘então e tu, que estás a fazer, onde é que estás a trabalhar’, eu lá respondia que continuava no mesmo sítio onde sempre estive. Sou, de todos, o único que sempre trabalhou na mesma instituição.
Eu sou um tipo um bocado nostálgico, acho sempre que a felicidade é um momento que já passou, mas é engraçado que, apesar de continuar a gostar dos meus colegas e de ter achado a reunião engraçada, não tenho saudades deles, nem do tempo em que fomos colegas (apesar de ter sido, a nível pessoal, um tempo muito interessante, porque foi durante o curso que eu aprendi a conhecer e a gostar de Lisboa).
Lastimo informar, mas nesse aspecto acho que sou 100 por cento funcionário público: não gosto da minha profissão mais do que na medida estritamente necessária para ganhar o salário sem me sentir infeliz. Ou, em alguns dias, demasiado infeliz. Talvez por isso estes meus colegas, a quem me liga apenas a comunhão dos estudos e da profissão, não me despertem muito mais do que uma simpática e cordial indiferença.


Como tinha de fazer duas viagens de carro para ir ao jantar, e não me estava nada a apetecer conduzir mas a opção comboio estava fora de questão dado o adiantado da hora, fiz como quando vamos às compras para combater a depressão: antes de me fazer à estrada passei na fnac e comprei um cd para ir a ouvir no caminho – o mais recente do Sérgio Godinho, Ligação Directa. Que disco delicioso. O Sérgio está em forma, as canções são divertidas e entusiasmantes, os arranjos são pop qb, ou seja são alegres, competentes, bem produzidos, mas não demasiado fáceis ou funcionais, têm imaginação e de facto acrescentam à música. É bom que o Sérgio continue a fazer música assim, que nos agrada e interessa, é bom que corra riscos, e é muito bom que continue super-inspirado.
Tags: