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(no subject)
rosas
innersmile
À partida, a decisão da ministra da cultura de acabar com as capitais da cultura, parece lamentável. É sempre triste quando termina um investimento na área da cultura. E a promessa de que os recursos serão canalizados para outras realizações, não convence, para mais em tempo de contenção orçamental. Claro que haverá sempre quem defenda que dinheiro poupado na cultura é sempre dinheiro bem poupado, mas normalmente é sempre quem mais se queixa do nosso proverbial atraso de mentalidade.
Mas disto isto, tenho de confessar que a notícia provoca mais choque do que consternação. Pelo que li no Público, o argumento utilizado pela ministra é a não fidelização de públicos. Não sei como foi em Faro, mas sei como é em Coimbra. Se durante a capital nacional da cultura houve sempre muito público, o interesse tem vindo progressivamente a decair, e hoje a maior parte das vezes a sala do Gil Vicente está às moscas. E quando enche, é com realizações, como o festival de blues ou o de jazz, que movimentam públicos de todo o país. Quando os espectáculos não ultrapassam a dimensão da cidade, estão quase vazios.
Claro que há dois lados da questão, e o outro é que a programação é normalmente esporádica, e quase sempre errática. De um modo geral, não se consegue criar uma ‘movida’, acontecimentos que suscitem a curiosidade e o interesse do público. E o facto de a programação não ser regular não ajuda a criar hábitos.
Na verdade não posso falar pelas estruturas de criação artística ou cultural, mas posso falar como espectador atento e como consumidor de cultura. E três anos depois, são já muito raros os sinais da capital da cultura que permanecem.