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little miss sunshine
rosas
innersmile
Confesso que já tinha uma certa predisposição para gostar do filme, e a verdade é que adorei Little Miss Sunshine (o título em português é inacreditável de falta de imaginação e esperteza saloia: uma família à beira de um ataque de nervos), de Jonathan Dayton e Valerie Faris, dois realizadores de vídeo-clips. Aliás podemos começar já por aqui, uma das qualidades do filme é que não tem marcas nenhumas desse passado dos seus autores, o que é raro acontecer, há sempre uma espécie de frenesim nas imagens que fica no código genético dos realizadores de clips. Este filme, ao invés, é sempre muito calmo, do ponto de vista do plano, da sequência, e sobretudo da montagem. Olha com firmeza as personagens, fixa-se nelas. Do ponto de vista narrativo, é muito simples, muito linear. E essa simplicidade é outro dos seus trunfos, primeiro porque ajuda a escrever uma história que é muito simples de contar: uma família típica americana, disfuncional qb, faz uma road trip para levar a filha mais nova a um desses inimagináveis concursos de beleza infantis. Depois, porque ajuda a definir, e a dar espessura, a uma galeria notável de personagens, onde nem todos parecem ser o que são, mas são sempre mais do que parecem. E é nesta complexidade das personagens, no olhar terno mas implacável que lhes deita, que o filme nos seduz e se excede.
Note-se que tudo isto é feito num registo de comédia verdadeiramente hilariante, com peripécias que não lembram ao diabo mais sádico e gozador, com um ritmo que está sempre a progredir, sempre a avançar. E com actores soberbos, sendo injusto falar em particular de qualquer um deles, de tal forma são todos excelentes e eficazes e equilibrados, têm todos tempo e oportunidade para fazer as personagens respirar e ganhar dimensão. Mas é impossível não destacar a estrela da companhia, Abigail Breslin, que nos seduz por completo.
Há uma cena em que a pretendente Olive, a Little Miss Sunshine, tem uma crise de convicção, tem medo de perder e ser uma loser. O avô tenta consolá-la, dizendo-lhe que pode não ter a inteligência ou a personalidade, mas tem a beleza exterior e interior que a tornam a rapariga mais bonita do mundo. Nesse momento, apaixonei-me por Olive! Little Miss Sunshine, o filme, tem a vantagem acrescida de ser bonito por fora e por dentro, e de ainda por cima ter cérebro e personalidade.
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