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pure, rui horta
rosas
innersmile
A Companhia Instável convida anualmente um coreógrafo para fazer uma residência, da qual sai o espectáculo da temporada. Anteriormente já tinha tido a oportunidade de ver dois espectáculos da Companhia, Wade In The Water, com encenação de Xavier de Frutos, e Les porteuses de mauvaises nouvelles, criado por Wim Vandekeybus. As propostas que a Companhia faz aos criadores passam pela criação de novas coreografias ou pela remontagem de coreografias criadas noutros contextos. Este ano, o coreógrafo convidado foi Rui Horta, que remontou duas criações anteriores e preparou uma nova – o espectáculo intitula-se Pure, e cada uma das três partes, Garden, With e Nest.
Eu nunca tinha visto ao vivo o trabalho do Rui Horta e realmente é muito impressionante. Desde logo porque tem uma linguagem muito coerente, o que dá uma unidade muito grande ao espectáculo. Reforçada, aliás, pelo facto de as ‘mudanças de cena’ ocorrerem em palco e à vista do público. Por outro lado, essa linguagem é muito abstracta, nada descritiva ou naturalista, o que, se por um lado não facilita ao espectador o trabalho de descodificação, por outro transforma a performance num exercício de pura dança, um vórtice no qual emergimos e nos deixamos conduzir de emoção em emoção, recebendo, sem questionar, mas com perplexidade e assombro, o que nos chega do palco.


O golo da jornada, entretanto, vai para a edição de ontem do Público, e para a notícia que anunciou o espectáculo. Para confirmar o inacreditável, basta ir ao site, à edição impressa de ontem, e seleccionar o caderno Local Centro. O título do artigo é: «Puré servido no TAGV»! Logo a seguir, no início do texto, e apesar de se traduzir entre parêntesis por 'puro/a', ou seja, evidenciando que se tem consciência de que se trata de uma expressão estrangeira, continua a grafar-se 'puré', assim, com acento. Não sei se a culpa deste erro ridículo foi da jornalista que assina a peça ou não, mas seja como for, é tão pateta que impede que se leve a sério o resto da notícia.
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