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Os rapazes giros têm sempre umas manias muito particulares. Agora a moda é os rapazes giros andarem aos saltos nos muros, nas paredes dos prédios, nos viadutos e passadiços pedonais. A Madonna, que deve ter um PhD em rapazes giros e está sempre muito atenta ao que eles fazem, já fez um clip, para uma canção justamente intitulada Jump, filmado no Japão, suponho que em Tóquio, cheio de rapazes giros aos saltos e a correrem muito depressa de um lado para o outro. No clip a própria Madonna não anda aos saltos na rua, mas está numa cabinezinha cheia de anúncios, a dançar e a fazer piruetas numa estrutura de tubos negros. Para o final do clip, as imagens vão alternando entre os saltos dos rapazes giros na rua e as piruetas da Madonna na tal estrutura, o que provoca o efeito interessante de fazer equivaler as façanhas da Madonna às dos rapazes giros, quando a verdade é que as deles são mais difíceis e arriscadas do que as delas. Mas a edição está tão bem feita que realmente parece que a Madonna também está a dar saltos arriscados como os rapazes giros. Eu fico verdadeiramente admirado com a rapidez com que a Madonna está atenta aos chamados fenómenos de rua. Um tipo até se pergunta se ela quando está a escrever as canções planeia logo que uma se vai chamar Jump para o clip ter rapazes giros aos saltos nos muros, se a outra vai ter uma carrinha dos tunings para os rapazes giros se despirem lá dentro, etc.
[O clip está no YouTube e pode ser visto nomeadamente aqui
 

 

E agora que esgotámos o tempo de antena dedicado à frivolidade, gostaria de chamar a atenção para o blog Amistad. O seu autor, o António, que eu tive a sorte de conhecer graças a fantásticos amigos comuns, é um cidadão do mundo, que reparte o seu tempo em estadias no Brasil, na Holanda e, por vezes, até cá no rincão natal. Neste momento o António está em Marrakech, e tem escrito deliciosas crónicas marroquinas, cheias de cores e sons e cheiros. Eu não sei se esta expressão ainda faz sentido, mas antigamente dizia-se de determinadas pessoas que tinham muito mundo, no sentido em que tinham viajado, é certo, mas mais do isso, que tinham tido muitas experiências, conhecido muita gente, o que lhes dava uma visão da vida ampla e larga (ancha, como dizem os espanhóis), conseguiam ver muito para além do umbigo medíocre das vidas quotidianas. Apesar dos meus contactos com o António terem sido sempre fugazes, é esta a ideia que eu tenho dele, um tipo com mundo, que tem as suas convicções mas é capaz de ver o mundo para além delas, que sabe que todos temos de ter um lugar sólido de onde olhar o mundo, mas que esse lugar não é o mesmo para todas as pessoas. Para além de tudo, o António tem uma maneira de escrever (falo do seu escrever bloguistico, que é aquele que conheço) que doseia muito bem a exposição pessoal com a reserva de intimidade, e esta postura é também a que eu gosto de cultivar.
A entrada mais recente do Amistad foi escrita num cybercafé, e então tem esta coisa fabulosa de todos os caracteres correspondentes ao uso de letras com sinais ortográficos, aparecerem em caracteres do alfabeto árabe. A prosa do António, e esta contaminação dos caracteres árabes, é como se de repente o Magrebe nos entrasse pelo monitor do computador e soprasse no nosso rosto o vento morno do deserto.