October 6th, 2006

rosas

7 virgenes

Para jogar 7 Virgens uma pessoa deve colocar-se em frente a um espelho, acender duas velas, e conta até um minuto. No espelho será revelado o futuro. Quando fez o jogo, a Richi o espelho revelou um urso verde.
7 Virgens é o título de um filme de Alberto Rodríguez, e foi exibido ontem, no decurso da semana de cinema espanhol. Segue a história de Tano, um adolescente problemático que tem uma licença de 48 horas do reformatório onde está internado, para assistir ao casamento do irmão. Trata-se pois de um filme de iniciação, um coming of age, em que Tano, durante esse breve fim de semana que ele pretendia que fosse de puro prazer e brincadeira (sexo, drogas e rock’n’roll, claro), aprende o lado mais duro, e adulto, da vida.
Como se vê, o tema não é propriamente original e todas as premissas e linhas narrativas que o filme explora são todas demasiado conhecidas, nomeadamente no cinema, que gosta particularmente de bons rebeldes cheios de fúria de viver. Mas como todos os filmes que assentam em dispositivos muito clássicos, a diferença está toda nas unhas que se tem para atacar a guitarra. E aqui deve dizer-se que Alberto Rodríguez toca todas as notas certas, e consegue imprimir ao filme e aos seus personagens, um sentido e uma coerência irrepreensíveis. O filme progride sempre com ritmo e fluidez, e tem um notável sentido de economia narrativa, não cedendo aos rodriguinhos e não perdendo tempo com coisas que não acrescentem nada sobretudo ao protagonista principal da história.
Começa a não fazer sentido falar na maturidade e na riqueza do cinema que se faz na vizinha Espanha. Os filmes aí estão, nas salas, para o demonstrar.