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an inconvenient truth
rosas
innersmile
É um facto incontornável que An Inconvenient Truth, o documentário ‘estrelado’ pelo ex-próximo presidente dos Estados Unidos Al Gore sobre o aquecimento global, é um filme político. Por vários motivos: porque se trata de uma exortação à sociedade para agir face a uma ameaça; por defender uma teoria, ou pelo menos uma perspectiva, que é objecto de controvérsia. Ou seja, é um filme político porque toma uma posição, e é um filme político porque advoga essa posição.
Claro que estou a elidir a verdadeira questão, que é saber se se trata de um filme político porque Al Gore o usa como instrumento de acção política – para se vingar da derrota injusta de 2000 ou como plataforma para a eleição presidencial de 2008. Na minha opinião, a resposta é positiva, o filme serve inegavelmente de plataforma de protagonismo político para Gore. E isso é transparente nos interlúdios pessoais do filme, em que Al Gore fala da sua infância ou da sua família. Claro que Gore consegue fazer a ponte entre esses apontamentos de promoção pessoal e o objecto do documentário, mas não deixam sempre de soar a falso e são, na minha opinião, o pior do filme, raiando mesmo o entediante.
Até por contraste com a enorme eficácia da mensagem do filme, e da conferência de Al Gore, porque é disso que se trata, uma transposição para filme de uma conferência que Gore tem levado a vários pontos dos EUA e do mundo. E neste aspecto o filme e o seu interesse cívico e educacional, é imbatível. Não é de estranhar que Gore tenha dotes comunicacionais, pois a política, e a política à maneira anglo-saxónica em particular, privilegia essa capacidade de fazer a mensagem chegar ao receptor. Mas todo o filme é, como referi, de uma enorme eficácia, tem estrutura e organização, é vivo e animado, doseia muito bem os dados, a informação, e os exemplos, e nem lhe faltam uns pozinhos de humor e entretenimento, essenciais para manter as plateias interessadas. Como também já referi, o pior são mesmo os apontamentos pessoais de Al Gore, em que o filme perde ritmo, e que provocam ruído na eficácia da mensagem.
Na sessão a que assisti, mais de 3/4 da assistência era composta por adolescentes de turmas escolares. Claro que isso provocou a perturbação que se imagina, com bocas e toques de telemóvel cruzando o ar, e constantes idas e vindas ao balcão das pipocas. Mas, por uma vez, ainda bem. Acho que o filme tem um didactismo evidente e que não deve ser desaproveitado. O aquecimento global é uma das mais sérias ameaças que a humanidade já teve de enfrentar. Os seus efeitos sentimo-los já, todos os anos, todos os dias. Não consigo diferenciar até onde vai a realidade e a iminência dessa ameaça, ou o que já pode ser algum catastrofismo de marketing. Mas pelo sim pelo não, parece-me prudente que comecemos a fazer alguma coisa para tentar contrariar a devastação que se anuncia. Já.
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