August 30th, 2006

rosas

por outro lado

Não gostei da entrevista que a Ana Sousa Dias fez ontem, na rtp 2, à Lila Downs. Claro que o facto de as perguntas serem em português e as respostas em espanhol agravavam as condições de comunicação, mas isso só deveria ter obrigado a entrevistadora a preparar-se melhor. Houve mesmo dois ou três momentos em que a ASD perguntou uma coisa e a Lila respondia outra coisa completamente diferente.
Uma dessas ocasiões irritou-me particularmente. Passei a entrevista toda à espera que a Lila Downs falasse no José Alfredo Jímenez. Quase no fim da entrevista, a ASD perguntou-lhe que tal tinha sido ter uma lenda da música mexicana, um Jimenez, a colaborar no disco. A Lila começou a falar do JAJ e da importância que ele teve na canção popular mexicana, nomadamente na canção rancheira, e na sua importância como poeta. A ASD, taranta, pergunta-lhe como correu a colaboração. A Lila esclarece que o Jimenez já morreu há muito tempo. A ASD confessa que não sabia, que achava que ele ainda estava vivo e que tinha colaborado no disco. Foi tão mau que chegou a ser confrangedor. Naturalmente a ASD estava a perguntar à Lila como tinha sido a colaboração do Flaco Jimenez no disco, mas como não sabia muito bem do que estava a falar, não percebeu que a Lila julgou que o Jimenez da pergunta fosse o JAJ. Foram duas belíssimas oportunidades desperdiçadas, por inteira culpa da entrevistadora: deixou cair, por ignorância, a referência ao José Alfredo Jimenez, e nós ficámos sem saber como tinha sido a participação do Flaco no disco La Cantina. E também não percebo porque é que tendo a entrevista sido realizada já há algumas semanas (a Lila esteve cá em Julho), a ASD não estudou melhor a lição e fez um editing a este momento tão fraco da entrevista. É sempre preferível não mostrar do que mostrar figuras tristes.
Eu habitualmente gosto muito das entrevistas da ASD, mas irrita-me um bocado uma certa mania que ela tem de se extasiar com determinados aspectos. Quer dizer, eu percebo que ela tenha fascínios, agora o que já me parece pouco eficaz, do ponto de vista comunicacional, é ela tentar impor esses fascínios nas entrevistas. Sobretudo quando o objecto do fascínio só indirectamente tem a ver com os entrevistados. Foi o que aconteceu mais uma vez ontem, a propósito do filme Frida, onde a LD participa como cantora. Percebeu-se que LD não tinha grande coisa a dizer acerca do assunto, sobretudo porque já foi há alguns anos e a carreira internacional dela já descolou um pouco dessa participação, mas mesmo assim a ASD insistia no assunto.