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asha & lata
rosas
innersmile
Já tenho falado aqui no livejournal da Asha Bhosle, a grande diva da canção indiana made in Bollywood. Não sei se já contei que a primeira vez que ouvi falar no nome dela foi numa canção dos Cornershop, A Brimfull of Asha. Gostei muito da canção (tenho-a por aí num dos raros cd singles que comprei) e fiquei muito curioso para descobrir coisas acerca da Asha. Claro, juntou-se a fome com a vontade de comer porque sempre gostei muito das canções dos filmes indianos, com que alimentei a minha cinefilia durante os anos de Moçambique pós-Independência. Tenho até a impressão de que acho mais piada às canções do que propriamente aos filmes, mas devo dizer, correndo o risco de lesa-cultura, que acho muita piada aos filmes de Bollywood.
Back to Asha, depois de passar muito tempo a ouvi-la em colectâneas dos milhares de canções que ela gravou, redescobri-a num disco de que também me fartei de falar aqui no innersmile, em que ela foi convidada do famoso Kronos Quartet numa viagem de descoberta da música de um dos grandes compositores indianos de música para cinema, R.D. Burman, que foi, aliás, marido de Asha.
Asha Bhosle só não é a incontestável rainha da música de Bollywood, porque uma outra cantora, Lata Mangeshkar, lhe disputa o título, quer no número de canções gravadas quer em termos de popularidade. Acontece que Asha e Lata são irmãs e, segundo li por aí na net, a sua rivalidade muitas vezes transbordou o plano artístico. Normalmente aceita-se que Asha gravou maior número de canções, mas também se diz que Lata ‘didi’ (a irmã mais velha) sempre foi mais popular e querida do público.
Isto tudo para dizer que finalmente consegui deitar a mão a um disco de Lata Mangeshkar, uma colectânea (não podia deixar de ser) sob o título The Legend, que reúne em dois discos e perto de duas horas e meia de música, 33 temas que Lata gravou através de toda a sua carreira, sendo o mais antigo de 1948 e o mais recente de 1990.
Agora que já conheço as vozes das duas irmãs, acho que, apesar de tudo, prefiro Asha. Também porque não há amor como o primeiro, mas sobretudo porque acho a voz de Asha mais viva, e mais capaz de assumir timbres e entoações dramáticas muito diversas. O que não é despiciendo, uma vez que estas cantoras tinham de gravar as canções de várias personagens dos filmes, muitas vezes eram elas que gravavam a totalidade dos temas dos filmes, o que as obrigava a enorme flexibilidade e a serem capazes de fazer timbres e modulações muito diversificadas. Lata tem uma voz mais doce e, vá lá, tradicional. Mas, talvez por influência da maravilha que é a sua participação no cd do KQ, acho a voz de Asha mais cristalina, mais rica e sobretudo mais viva.
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