August 11th, 2006

rosas

8/11?

Vivemos tão cegos. Não consigo perceber a dimensão do que se passou ontem nos aeroportos de Londres, ou melhor daquilo que se poderia estar a passar, ao que tudo indica, hoje, sobre o Atlântico. A comunidade muçulmana em Inglaterra é enorme, a Inglaterra tem leis que facilitam o asilo e a emigração, e talvez seja isso que explique a razão porque Londres está tão no centro do terrorismo fundamentalista.
Tenho de confessar que das minhas incandescências politicas da juventude, todas mais românticas que propriamente ideológicas, uma das coisas que ficou foi uma enorme desconfiança em relação ao carácter policiário dos nossos estados democráticos. E, claro, hoje muito pior do que ontem. Quando acontecem este tipo de operações lembro-me sempre que há um tipo qualquer de uma polícia mais ou menos disfarçada que se ocupa a vigiar a minha vida (e a ler o innersmile, pois então) não se vá dar o caso de eu ser um perigoso terrorista. Fico sempre ligeiramente corado com algumas das coisas que ele poderá ter descoberto a meu respeito!
Mas esta sensação claustrofóbica de vivermos todos sob escrutínio e vigilância contrapõe-se, naturalmente, à terrível insegurança que provoca a leve suspeita de o meu vizinho do lado estar, neste preciso momento, a juntar uns líquidos num frasco que, detonados por um telemóvel, rebentam com uma carruagem de comboio ou pulverizam um avião em pleno voo.
Por isso, e apesar de, por esta vez, termos sido poupados ao horror, o que se tem estado a passar nestas últimas 24 horas em Londres, é mais passo nesta tenebrosa descida aos infernos da dignidade da vida humana.
rosas

obikweeeelu

Com tanto mal estar, valha-nos, mais uma vez, o nosso português da Nigéria de serviço para as alegrias do atletismo. Francis Obikwelu conseguiu a dobradinha de vencer os 100 e os 200 metros em competições do Campeonato da Europa, feita pela última vez em 1978 pelo italiano Pietro Mennea.
Lembro-me de, há dois anos, quando Obikwelu obteve a medalha de prata nos 100 metros nos jogos olímpicos de Atenas, ter havido polémica acerca da portugalidade deste atleta que, para o ser, fugiu do seu país de origem e comeu o pão que o diabo amassou nos circuitos miseráveis da emigração, até alguém reparar que ali estava mais do que um simples corredor. Desta vez, pelos vistos, e felizmente, esses pruridos já desapareceram, e podemos celebrar com orgulho este enorme feito do atletismo português.
Quanto aos meninos nazis, que defendem a pureza da raça e a superioridade lusitana, puta que os pariu.


edit: pergunta a Chuinga, e muito bem, se o avião em que o Obikwelu regressar «terá direito a passar entre jactos de água com as cores da bandeira que tão bem defendeu» e, que, acrescento só para dar ênfase, pôs a flutuar no pódio da Europa. É que, caramba, não foi um quarto lugar, foram dois primeiros!