August 8th, 2006

rosas

(no subject)

Trazes-me os indícios de uma infância feliz. Num dia quente como o de hoje, quando lá fora é impiedoso o vazio que toma conta das ruas, alumia-se a mesa com o sorriso das histórias que contas. Como é que consegues carregar, intacta, a cintilação desses dias? Nas histórias que contas, nessas lembranças que desfias de um país que é só teu, vou-te conhecendo criança. Outra pessoa, que eu nunca me esqueço de amar na que conheço desde sempre. Aprendo que só morremos quando os outros nos esquecem, e que os meus avós e os teus avós permanecem, sorrindo, apoiados na grade de um varandim, a verem-te a brincar. Aprendo ainda que o que trazemos ao rosto é sempre o resultado desses sorrisos que fomos guardando, dos mais antigos aos mais insignificantes. Felizes, por um momento, na sombra que nos resguarda do vazio lá de fora, eu e tu. Quero também guardar este sorriso. Porque um dia, quando estiver frio, vou precisar dele para me aconchegar.