?

Log in

No account? Create an account

(no subject)
rosas
innersmile
«Com isso tudo, o que mais impressiona no corpo da produção de Cazuza agora é a carga de esperança que ela suscita. Paradoxalmente, o monte de canções de desespero e lamento que nos deixou esse garoto que morreu tão cedo exala esperança. Mas o paradoxo é só aparente. O tom desesperado está sempre cheio de gosto pela vida, e o lamento é antes sensualidade. A força da esperança, no entanto, vem da obra em sua relação com a história da nossa música. E nossa história se tem contado privilegiadamente através da música popular.
Podemos chorar de saudade de Cazuza. Mas sempre tornamos a nos alegrar com sua presença divertida e desafiadora, porque ele é uma das pessoas que mais sabem expressar esse fato dificílimo de entender e admitir: os humanos somos todos imortais.»


- Caetano Veloso, É Preciso Dizer Que Te Amo (O Mundo Não é Chato)

cenas de um casamento - a sequela
rosas
innersmile
Convenhamos que o desafio era feroz: depois de uma primeira edição de cenas de um casamento absolutamente fantástica, era praticamente impossível manter o nível – nada vence a tríade karaoke-rodízio-coro dos bombeiros!
Conscientes disto, os produtores da sequela de cenas de um casamento que rodou no passado fim de semana, investiram num estilo completamente alternativo – o chill out. Muito champanhe (na cor e nas flutes), puffs cor de rosa, crocante de pistaccio na ementa, música gravada com sons de ondas e golfinhos e um rapaz com ar de sexo tântrico a tocar flautas e saxofones, jardins, velas, madrugada.
A cerimónia religiosa foi numa igreja lindíssima, São Salvador, no largo do mesmo nome, ali atrás do museu Machado de Castro. Uma construção de raiz românica, mas que cheira a século XVIII por todas as paredes forradas a azulejo e altares de talha dourada. O padre era daqueles tipos novos (estilo bear careca, para quem se interessa por essas coisas) que no sermão se inclinam para a frente para dizerem coisas com sentido e intensidade. A parte melhor da cerimónia (e do casamento todo) foi quando a meio daquela parte do 'eu, fulana, aceito-te a ti, fulano…' a noiva se comoveu e teve de parar para não chorar, bem!, era a igreja toda a fungar e de olhos rasos de água. Foi lindo!
Como já referi, a recepção decorreu em ambiente chill out. Logo à chegada aos jardins, foi aberto o bolo de noiva e feito o brinde. Depois abriram os bares e eu aproveitei para beber 8 caipirinhas. Para meu bem, aquilo era muito gelo, muito sumo e só um cheirinho a cachaça, mas mesmo assim fiquei razoavelmente 'chill outed'. Como se compreende, já não me lembro muito bem o que foi o jantar, mas eram aqueles pratos com nomes mais elaborados do que a confecção, com confitados e verdes e folhados e reduções. Os vinhos eram Dão Quinta do Cabriz, o que, pronto, não deixa a família ficar mal.