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(no subject)
rosas
innersmile
Uma das desvantagens do innersmile ser tão velho, é que acho que já entrou naquela fase repetitiva que anuncia a senilidade. Às vezes tenho a impressão de que o innersmile amadureceu na árvore, mas outras vezes não, tenho mesmo a certeza de que já caiu ao chão de podre e só serve de repasto para os bichos e um ou outro passarinho mais afoito.
O problema é que, a maior parte do tempo, até a mim me dá a impressão de que o innersmile anda às voltas, sempre a falar das mesmas coisas, sempre a passar nos mesmos sítios. De vez em quando lembro-me de falar de um livro ou de um filme que foram muito importantes para mim, e descubro que afinal já escrevi sobre o assunto e com muito mais piada. Claro que às vezes dá jeito: ainda um destes dias me acusaram de estar a debitar a opinião politicamente correcta da moda acerca de determinado assunto, e eu claro que fui logo desenterrar a entrada do innersmile que falava desse tema. Naturalmente que há o risco da contradição, de ter dito uma coisa há uns anos e agora defender, com igual dose de veemência (ou de retórica), o contrário. Fico todo contente quando isso acontece, porque a maior parte do tempo acho que sou tão monocórdico e tão pouco imaginativo que o innersmile é, como comecei por dizer, enfadonhamente repetitivo.
Mas é horrível. Ainda um destes dias me apeteceu escrever sobre um dos meus filmes preferidos. Comprei o dvd, pus-me a vê-lo, e no fim, quando liguei o computador para escrever, lembrei-me de ir procurar entradas anteriores sobre o filme. Fiquei tão impressionado com o que li, que desisti logo da tentativa de escrever de novo sobre o filme. Mal impressionado, obviamente.
O innersmile é um diário. Não é uma tribuna, não é um blog, não é um jornal de parede. É um diário. Por isso posso escrever aqui as repetições que eu quiser e que me apetecer. Posso pôr todos os dias uma entrada nova sempre sobre o mesmo assunto (como de facto acontece). Mas é um diário que tem consciência de que há inocentes nesta história, e que são os pobres transeuntes que nele tropeçam, alguns deles mesmo com o impulso suicidário de nele tropeçarem com frequência. Por ser um diário vaidoso, é que o innersmile se preocupa com esta coisa de estar a ser muito repetitivo.

A dependência é lixada. Às vezes vou a conduzir e experimento uma sensação deliciosa de liberdade porque me ponho a pensar em todas as dependências que eu tenho e ponho-me a fazer de conta que as larguei. Uma delas é o innersmile. Penso assim: que bom, já não escrevo no innersmile há dezasseis horas, é sinal de que já não estou dependente dele e posso abandoná-lo. Depois esqueço-me e começo a alinhavar de cabeça coisas para escrever.

Curiosamente(!), o innersmile faz hoje 5 anos. E olhando para as entradas dos anos anteriores correspondentes a este dia, constato que até nisso, nas entradas comemorativas, o innersmile está repetitivo. E os temas que vou deixando de abordar, significativamente, são sobre algumas das melhores coisas que o innersmile me deu.
Confesso que neste momento me parece que a única coisa boa que o innersmile me tem dado ultimamente são esses passarinhos afoitos que, vez em quando, descem dos altos ramos e vêm debicar a fruta que apodrece à sombra da árvore.
O problema é que a dependência é lixada.