July 23rd, 2006

rosas

la vida secreta de las palabras

De que fala o filme A Vida Secreta das Palavras, da realizadora catalã Isabel Coixet?
Fala, em primeiro lugar, da Europa, essa minúscula plataforma num imenso mar de passado e esquecimento. Uma Europa onde as nacionalidades fazem cada menos sentido mas onde se mata e extermina em nome delas.
Mas fala ainda de outras coisas. Fala de vinte e cinco milhões de ondas e do homem que as conta. Fala de um ganso improvável e do seu antigo dono que morreu. Fala de um cozinheiro terno e simpático que dá um sentido verdadeiramente cultural à expressão ‘cozinha internacional’. Fala de dois operários empedernidos que se matam mutuamente as saudades dos afectos das mulheres e dos filhos. Fala de um negro dançarino e de um velho comandante cujos olhos dependem em absoluto da oscilante linha do horizonte marinho. Fala do silêncio que antecede as tempestades.
E fala finalmente de um homem e de uma mulher. De uma mulher que tenta esconder o passado dissimulando-o atrás de um vazio. E de um homem que tenta esquecer o vazio acrescentando-lhe recordações e promessas. De um homem e de uma mulher que se encontram no impossível lugar em que quem vê não ouve e quem ouve não vê. Num lugar onde as mentiras contam verdades e o silêncio é a única forma de escutar a vida secreta das palavras.
Um filme belíssimo, de uma tristeza comovedora e optimista. Que nunca recusa ser político, mas se resguarda sempre no sofrimento e na ternura das personagens. É um filme frágil, como a história que conta e como as personagens que a vivem. E todos sabemos como as coisas mais preciosas são sempre as mais frágeis.