July 21st, 2006

rosas

(no subject)

Quando alguma coisa numa história não é perceptível, a culpa é sempre de quem a conta. Porque a conta mal.
Por outro lado, não há nada mais assassino para uma história, para uma ficção, do que ter de a explicar.
Comecei esta entrada para clarificar um ou dois aspectos da história de ontem que me parece que ficaram demasiado obscuros, ficaram tão por dizer que, ao contrário do que eu supus, não são implicitamente compreensíveis.
Mas afinal fica como está, sem notas de rodapé.

Mas posso contar que a história de ontem (me) surgiu durante o almoço no refeitório. Éramos três à mesa, começámos a fazer aquela conversa mole do 'então, que tal?', e passado pouco tempo estávamos a ter uma conversa intensa, profunda e muito pessoal, sem, contudo, ultrapassar a barreira da intimidade. Falámos de decisões, de erros, de culpa, de arrependimento, de remorso. Tudo no tom mais coloquial possível, entre salada de atum e febras grelhadas. À sobremesa, eu comi melancia.
Não me acontece muitas vezes ter uma conversa, para mais em tom tão descomprometido e casual, que fique a perdurar em mim como uma luz. Para mais com pessoas com quem tenho relações cordiais, amistosas, com algum grau de proximidade, mas que não são de todo relações pessoais, de amizade íntima, aquelas que andam sempre conosco.